Opinião
Ben��o ou maldi��o
No Norte e Nordeste seu excesso vem fazendo vítimas, levando vidas, sonhos, trazendo dor e muito prejuízo. No Sul, especialmente, a falta dela vem igualmente fazendo vítimas, arrasando muitas vidas, levando sonhos e muitos chorarem pelos prejuízos. Há poucos meses, os anseios eram os opostos: no Sul excesso, no Norte e Nordeste, escassez. Chuva, benção ou maldição? Ela vem, ela vai, mas sinistramente não apenas as suas bênçãos continuam como também as suas maldições, suas marcas, suas lembranças permanecem. É o prejuízo de anos e vidas de trabalho, simplesmente ?consumidos? pelo seu excesso, ou pela sua falta. Temporais e escassez de chuva tem sido manchetes e assuntos seguidos em noticiários e conversas informais. Se antigamente era assunto, quando não se tinha mais assunto, hoje é uma preocupação. Ela não escolhe pessoas, não faz acepção de raças, de classe social. Por onde passa, deixa suas marcas, positivas ou negativas. No fim das contas, todos acabam sentindo suas conseqüências nem que seja na mesa, no bolso. Benção e maldição. De modo semelhante, há dois mil anos, um ancião chamou a atenção da humanidade: ?Este menino foi escolhido por Deus tanto para a destruição como para a salvação de muita gente?. (Lucas 2.34) Este homem piedoso com o menino Jesus no colo estava apenas afirmando o que Deus já tinha dito uns setecentos anos antes: ?Eu serei um templo para abrigar vocês; serei também uma pedra e uma rocha que fará que (...) tropecem e caiam? (Isaías 8.14). Falando daqueles que rejeitaram Jesus, os apóstolos confirmaram esta verdade: ?Eles tropeçaram na pedra de tropeço? (Romanos 9.32). E ?a pedra que os construtores rejeitaram veio a ser a mais importante? (1 Pedro 2.7). Seria a chuva, assim como Jesus, um ?estraga prazeres? num mundo onde Jesus está no colo de muitas religiões e pessoas, mas que carregam a maldição em vez da bênção? Onde a água, necessidade primária é tratada como lixo pela maioria da humanidade; basta olhar nossos córregos, terrenos abandonados, desmatamento, poluição e descaso com a natureza. De quem é a culpa, a não ser de cada um de nós pelo caos que vivenciamos? Então não é surpresa tudo o que já foi dito e escrito contra o Deus encarnado, contra a chuva que invade casas ou a seca que mata expectativas. Não podemos ignorar nem a um, nem a outro, pois de ambos depende nosso presente e futuro. Se até hoje tratamos os assuntos com descaso, está mais do que na hora de tratarmos com seriedade. (*) É pastor da Igreja Luterana.