Opinião
Devolu��o e ina��o
Explicações até podem ser dadas, mas o difícil será convencer alguém do porquê de devolver recursos alocados para projetos em áreas vitais, especialmente quando o prazo para execução do projetado era da largura de três anos. Com o sistema prisional alagoano repleto de problemas, literalmente com gente caindo pelo ladrão, como pode ser entendida a devolução de R$ 362 mil aos cofres da União simplesmente porque não teriam sido realizados os projetos para os quais esses recursos foram liberados. Época houve, num passado nem tão remoto, que verbas federais eram liberadas aos 45 minutos do segundo tempo, sem direito à prorrogação. Era pegar ou largar, mas com a certeza de que o andamento normal do projetado estaria descartado. Há quem diga que existiria, nesses tempos pretéritos, uma ?indústria de captação das devoluções?, ou seja, sem tempo real de executar os projetos, os mais corretos nem pestanejavam: devolviam os recursos por absoluta impossibilidade de executar obras de meses em apenas 48 horas; na outra ponta, de prontidão, sempre havia alguém na repescagem, pronto para reciclar para novos projetos as boladas devolvidas. Há quem diga que isso seriam lendas urbanas, mas... Mas, em todo caso, esse caso alagoano, pelo noticiado, não se enquadra nesses contos de fadas das verbas públicas. Afinal, os recursos devolvidos teriam tido um tempo mais do que suficiente para serem transformados em realizações concretas: três anos! Parece que estamos diante de um caso de polícia, pois é um verdadeiro crime se as coisas tiverem acontecido conforme foram relatadas para a imprensa. Com toda razão, o próprio secretário de Defesa Social chocou-se com a denúncia e já cobrou as devidas explicações para tal ocorrência. O mais importante, além das explicações, é a correção exemplar de tamanho desserviço público.