Opinião
A import�ncia da amizade
Todos desejamos ter amizades. Nada melhor na vida do que uma verdadeira amizade. Entretanto, não deixa a amizade de ser circundada, de ser ameaçada por inúmeros perigos. Por isso, nem sempre a amizade prospera. Não são poucos os poetas que mencionam, em seus poemas, mais ou menos, quatro perigos que ameaçam a amizade. Georges Bernanos menciona o tédio como o perigo maior: ?São poucas as amizades que resistem ao tédio?. Quando os amigos não têm mais nada a dizer ao outro; quando eles se acostumam entre si, mas não têm mais abertura para aquela coisa que os ultrapasse, então é chegada a hora de o tédio corroer a amizade. Nada mais flui entre eles. A amizade murcha, estiola-se, desertifica-se. O tédio desponta sempre, quando a fonte da fantasia e da criatividade seca. A causa está sempre no fato de fecharmos para o outro as portas de nossos próprios sentimentos. Outro perigo está no ativismo. Quem está sempre ocupado, quem se refugia no trabalho, não só não dispõe de tempo para a amizade, como se torna incapaz de ser amigo de alguém. Outro perigo é a desigualdade dos amigos. Adolf Freiherr assegura: ?Toda supremacia de um lado prejudica a amizade?. Se apenas um dos amigos é o protetor, o terapeuta do outro. Se apenas um é o tal, isso prejudica a amizade. A amizade necessita de um tu e de um eu que estejam no mesmo plano. Se essa relação entre o eu e o tu não mais existe no mesmo plano, a amizade fenece. Há um grande perigo que Ernst Raupach assim descreveu: ?Agrados em demasia enfraquecem a amizade, em vez de fortalecê-la?. Existem pessoas que presenteiam demais o amigo ou a amiga. Pode tal atitude revelar ao amigo que o outro gostaria de comprar a amizade. A diferença de nível da amizade pode decair: entre o rico doador e o pobre recebedor. Necessita a amizade de igualdade dos amigos, caso contrário corre perigo de extinguir-se. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.