Opinião
Os alagoanos e o novo Enem
Desde que o MEC propôs a substituição do vestibular pelo Sistema de Seleção Unificada, um intenso debate tem mobilizado setores da comunidade acadêmica, escolas de ensino médio e os chamados cursinhos pré-vestibulares. Em meio ao debate, no último dia 14, o Inep divulgou a matriz de habilidades e conteúdos que deve orientar a construção da prova do novo Exame Nacional do Ensino Médio. Um rápido exame dos fundamentos apresentados pelo novo Enem evidencia a continuidade dos princípios que orientam a prova desde sua criação em 1998, agora estendida a quatro grandes áreas de conhecimento, ampliando as duas iniciais (linguagens e conhecimentos matemáticos). Como pesquisador dos processos de avaliação educacional no Brasil e no Nordeste, quase que automaticamente, cruzei os princípios e conteúdos desta nova matriz com os resultados da última edição do Enem de 2008, também divulgado pelo Inep há algumas semanas. No ano em que o Enem completou 10 anos e se consolidou enquanto parâmetro de verificação de qualidade de escolas e sistemas em todo o País nos salta aos olhos uma constatação: com pouquíssima variação Alagoas sempre apresentou o pior desempenho nacional do Exame. Para além da simples constatação, dados dessa natureza devem servir à reflexão e redefinição de rumos não apenas nas grandes estruturas de gestão, mas também em cada uma das escolas que compõem o sistema, tanto na esfera publica quanto na privada ? até porque o fraco desempenho se repete nas duas instâncias. Talvez esteja aqui o maior ?pecado? das administrações que se sucederam na gestão da educação no Estado nos últimos vinte anos, ou seja, não há quem não conheça os baixos índices de desenvolvimento educativo que alcançamos em todos os diagnósticos construídos nacionalmente. Indiferentes a isso os governos se sucedem sem que uma proposição clara e objetiva seja apresentada à sociedade no que se refere à superação desse atraso, estabelecendo metas que se traduzam em políticas publicas concretas. No que se refere à proposta do MEC de utilização dos resultados do Enem como forma de ingresso nas universidades federais, é ilustrativo observarmos como as maiores instituições da nossa região estão se posicionando. Na maioria delas há forte preocupação com uma possível concorrência com candidatos oriundos do centro-sul do País, onde os resultados do Enem são muito superiores aos obtidos pelos nossos egressos do ensino médio. (*) É professor da Ufal.