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O Pa�s dos batizados

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O Brasil é um País de batizados ? afirmava um documento sobre o batismo de crianças da Conferência Nacional dos Bispos em 1970. Em si, seria um fato positivo e promissor. Mas vai depender muito das razões, que levam o povo brasileiro ao costume de batizar suas crianças. É a mesma CNBB que enumera algumas das mais comuns, distribuindo-as em vários tipos. Razões supersticiosas, como crendices populares a respeito de doenças, que afetariam a criança ainda não batizada, azar na família e outras desse tipo; razões de cunho social: é tradição familiar, é festa da criança pequena; e até de ordem econômica: um padrinho bem escolhido assegura o futuro da criança, com educação e assistência na saúde. Esse problema do padrinho é frequentíssimo na pastoral. Sempre que se pergunta aos pais porque uma criança, já bem crescida, não foi ainda batizada, a resposta é infalível: ?É porque estamos esperando que o padrinho possa viajar para cá?. Esse padrinho será um político, um empresário, pessoa de importância social. Mas, absolutamente não é essa a missão do padrinho. A igreja batiza crianças, com a garantia dada pelos pais de que ela será educada na fé católica. Se os pais não quiserem, ou não puderem sem culpa sua, educar o filho batizado, vem a obrigação do padrinho de substitui-los, quase como verdadeiro avalista da educação religiosa do afilhado. Por isso, os padrinhos devem ser pessoas de verdadeira vida cristã, que gozem de bom conceito na comunidade e estejam dispostas a substituir os pais na educação religiosa do afilhado. As únicas causas justas e teológicas para batizar o filho devem ser: a necessidade do batismo para a salvação, a eficácia do batismo para apagar o pecado original e o meio de a criança tornar-se filho adotivo de Deus, cristão e membro da igreja, ou ainda melhor, igreja viva, como somos todos os batizados. O batismo é o primeiro sacramento da igreja, que nos dá a graça primeira, faz-nos filhos adotivos de Deus, regenerados em Cristo Jesus, membros vivos da igreja, com um caráter indelével. Se alguém batizado deixar a Igreja Católica, passar para alguma outra igreja ou seita cristã, ou mesmo uma religião não-cristã, como a religião muçulmana, levará para sempre o caráter do batismo cristão. Uma vez adultos, devemos renovar nossos compromissos batismais com a plena e vivida adesão de nossa fé. (*) É arcebispo emérito de Maceió.

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