Opinião
Chacinas em foco
Repercutiu na Internet, sendo reproduzida em mais de um site, a matéria publicada pela GAZETA, em sua edição de domingo, sobre a violência contra crianças em Alagoas. Baseou-se a matéria original em estudo realizado e divulgado pela Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da Ordem dos Advogados do Brasil, seccional Alagoas (OAB-AL). Segundo os dados levantados pela OAB, 191 menores foram assassinados em Alagoas em apenas seis meses. Corretamente, o presidente da comissão responsável pelo estudo, advogado Gilberto Irineu, classificou esse fato como ?um verdadeiro genocídio?. Quantas crianças terão sido assassinadas nesse mesmo período no sangrento (e histórico) conflito do Oriente Médio? Feitas as contas, é até provável que o teatro de guerra palestino/israelense forneça um número de baixas menor. Com certeza, aqui se vive uma situação de horror. A tragédia alagoana é tamanha que os verdugos abandonaram a velha prática da cova rasa, ou da vala comum ? depósitos ligeiros para vítimas em grande quantidade. Aqui, agora, se abandona cadáveres às dezenas a céu aberto. Literalmente, estão jogando corpos no mato. Onde estarão os restos mortais dessas crianças assassinadas. Se todos os listados pela OAB estão com suas covas identificadas, paira a dúvida de esse número ser ainda maior. Ceifadas ainda na tenra idade, essas 191 vidas seriam, todas, de crianças criminosas? Caso assim seja, a situação fica ainda mais complicada, porque estaríamos diante de uma indústria de pequenos marginais e a sociedade, incapaz de enfrentar esse problema com a recuperação dos pequenos contraventores, deixa que grandes assassinos ditem a sua lei de sangue, decidindo quem vive e quem morre. Os poderes públicos alagoanos estão chamados a responderem a essa provocação. A escalada da violência, acelerada com grande força nos últimos anos, deve ser estancada. A cidadania está sendo aviltada e as respostas devem ser dadas com urgência e eficiência. Essa é a hora de se agir de verdade, sob pena do terror fazer escola.