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Às vezes o sofrimento bate a nossa porta para testar os nossos sentimentos, as nossas virtudes, a nossa fé, o amor que soubemos plantar em nossa vida. Julgamo-nos uma fortaleza, prontos a enfrentar todos os obstáculos que encontramos pela frente, mas quando os males da existência chegam para nos questionar certificamo-nos de que nada somos. Ficamos abatidos, tristes e nessas horas só encontramos conforto, além da fé, no aconchego daqueles que nos querem bem. Na família e nos amigos. Um simples telefonema; uma visitinha, mesmo ligeira; o carinho e o cuidado dos parentes tocam nossa emoção no mais profundo de seu recesso. Eles não imaginam quanto são indispensáveis à estabilização do nosso mundo constitucional. Não viveria nunca num lugar, por mais lindo e adiantado que fosse, se eu não estivesse perto daqueles a quem amo e que me amam. Não saberia viver longe de seu convívio. Mesmo que não veja todos, sempre, sinto sua presença no meu mundo vital. Felizmente Deus me deu três grandes qualidades: o prazer da comunicação, o gostar dos seres humanos e conseguir observar neles mais as qualidades que os defeitos. Quando viajo e que vejo lugares tão lindos, artes tão maravilhosas, civilizações tão curiosas, sinto o desejo de escrever para transmitir aquilo que alguns nunca tenham tido a oportunidade de conhecer. Ser agente de viagens foi-me um deleite imenso. Poder dividir com tantas pessoas esses momentos maravilhosos e fazer novos amigos. Realmente representou algo muito prazeroso para mim. Segundo Vinícius de Moraes: ?Pessoas passam pela nossa vida, amigos ficam para sempre!? Eu que me julgava cheia de vitalidade, quase indestrutível, fui vítima dos percalços da idade. Tive que correr em busca de auxílios médicos de urgência. Meu coração que nunca falhou, resolveu se manifestar de repente, como num aviso. Tive que aceitar a realidade: ser um mortal como os outros. Minha coragem e independência não me davam o direito de brincar com a vida. Mas Deus e a Medicina com sua modernidade, me deram uma nova chance, que espero seja longa bastante para ainda gozar das belezas dessa bela existência. Gostaria de poder abraçar num enorme amplexo todos aqueles que me telefonaram que me visitaram que de mim indagaram. Não sei como demonstrar o que sinto de outra maneira que não seja de público, numa crônica que exprima toda gratidão que me vai na alma pelas manifestações de carinho que tenho recebido dos meus amigos e de minha família. Ainda citando o grande Vinícius de Moraes: ?A gente não faz amigos, reconhece-os?. (*) É escritora.

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