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Ternuras de Deus diante da viol�ncia do mundo

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Concluída a obra da criação do cosmos, Deus viu que tudo era bom (Gên. 1,1-3). Daí por diante o cosmos se chamou mundo que significa bom, limpo, não imundo. Foi, assim, a criação, a primeira grande carícia doada por Deus ao ser humano. Ternamente, durante cinco etapas, foi o Senhor Deus preparando seus presentes para o ser humano, como a mãe prepara o enxoval do filho que virá ao mundo; ou, ainda, como o noivo escolhe, com carinho, a aliança para a futura esposa. É assim que Deus cobre de carinho seu conúbio com a humanidade, sua esposa. Não é difícil ver, nas trevas da noite, os fantasmas das sombras e muito menos divisar nas trevas da meia-noite, raios de luz. Mesmo assim, Deus cobre de ternura o descanso do sono e ilumina com sua ternura, os fantasmas dos sonhos. O cântico de amor entre Deus e o ser humano revela-se nas metáforas tiradas do mundo mineral (pérolas, pingentes de ouro...), do mundo animal (pombas, rolinhas), do mundo vegetal (lírios, trigo...), consolidando o vínculo indissolúvel entre a pessoa humana e Deus. Não de maneira diversa o que revela o Cântico dos Cânticos (1,10-11): ?Que beleza suas faces emolduradas entre os brincos, e seu pescoço, com colares! Faremos para você pingentes de ouro cravejados de prata?. Tudo são carícias que afagam nossos olhos. São as carícias do ocaso vermelho purpúreo e os raios da aurora que amanhece; são as mil cores dos prados na primavera, a beleza maravilhosa das altas montanhas de cumes nevados, a dança das cascatas que se transformam em palácios de gelos. Não faltam as carícias de Deus que afagam nosso paladar, nossa audição, nosso olfato, nosso tato, com doçuras de mel, de suculentos vinhos, ou com a linguagem da natureza, no sibilar do vento, no cicio da cigarra, no chilreio dos pássaros, ou no inebriar da fragrância da flor de laranjeira, no perfume suave e penetrante do jasmim, ou mesmo no toque suave da água em nosso corpo, do vento em nosso rosto. Deus quer que descubramos suas carícias em meio à violência deste mundo cruel em que vivemos. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.

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