Opinião
Educa��o � o melhor investimento
Em geral, costumo avaliar as mudanças educacionais com muito cuidado, procurando refletir sobre as experiências passadas e tentando antecipar possíveis problemas para poder evitá-los no futuro; mas tenho que confessar simpatia pelos projetos de mudança no Enem e no Ensino Médio, apresentado, recentemente, pelo Ministério da Educação. O modelo vigente, muitas vezes pautado na ?decoreba? e voltado para o vestibular, tem dado fortes sinais de um ensino que necessita de correções. Dezenove federais já decidiram usar o Enem como vestibular neste ano, para todas as suas vagas ou parte delas. A Ufal, com cerca de 17 mil alunos, tomou uma posição prudente, coerente e consentânea: transição gradual ao novo processo, ajustando, por etapas, as condições locais à mudança pretendida. A primeira grande proposta apresentada pelo MEC propõe justamente a substituição do vestibular tradicional das universidades federais, por um projeto unificado nacionalmente. Isso exige uma mudança de base, consistente e realista, uma vez que, para os alunos, vai tratar-se de uma competição nacional. Os vestibulandos poderão escolher até cinco opções de cursos em diferentes instituições. A educação voltada para o vestibular, com ênfase em preocupações que terão pouca ou nenhuma aplicação prática no cotidiano, tem mais conseguido afastar o aluno do que aproximá-lo da ciência. Uma nova visão em que a compreensão, interpretação de textos, capacidade de raciocínio, em detrimento da ?decoreba?, sejam a tônica, é de suma importância. Por outro lado, vejo, com bons olhos, as mudanças para o ensino médio, desde que elas sejam bem articuladas e realizadas em forte parceria com os Estados. A proposta de organizar as disciplinas em grandes áreas, por exemplo, não é nova, tendo sido prevista na reforma curricular de 1998. A divisão em blocos e sua articulação podem, finalmente, trazer a tão desejada articulação disciplinar que sentimos falta na formação atual. Contudo, sabemos das dificuldades do sistema educacional brasileiro. O País ainda não se voltou para a educação como a prioridade das prioridades. Um ideal de educação pressupõe a interação de professores e alunos, devidamente apoiados, tendo como objetivo maior a construção do conhecimento. Quando chegaremos a esse patamar? Não é novidade que os países que mais se desenvolveram, nos últimos 20 anos, investiram maciçamente em educação. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.