Opinião
Desfazendo um nome
Para qualquer pessoa que tenha acompanhado, mesmo superficialmente, a história da educação em Alagoas nos últimos 50 anos, é estarrecedora a constatação da queda nas condições de ensino se for tomada como referência a involução de estabelecimentos como o antigo Colégio Élio Lemos. Com precisão cirúrgica, a reportagem da Gazeta de Alagoas, publicada ontem, expõe um tumor maligno de chocantes proporções a se espalhar pelo ensino público, a partir da denúncia de casos como do tradicional colégio fundado pelo saudoso deputado e educador Tarcísio de Jesus. Terrificante em sua decadência, o antigo Colégio Élio Lemos, cambiando de denominação, talvez para evitar uma segunda tragédia mortal envolvendo o nome do estudante que foi devorado pela cachoeira de Paulo Afonso há mais de meio século, o antes portentoso centro de ensino apresenta-se atirado a uma condição abjeta, enlameando décadas de esforços e conquistas de gerações que se formaram naquele estabelecimento educacional durante décadas. Só para citar alguns dos professores que brilharam no finado Colégio Élio Lemos, poder-se-ia destacar talentos como o dos folcloristas Pedro Teixeira e Maria José Carrascosa (im memoriam), José Maria Tenório, do hoje juiz Diógenes Tenório, do ex-procurador-geral do Estado Carlos Méro, do cinéfilo Elinaldo Barros, dentre tantos outros mestres. Os estudantes que por lá passaram, aos milhares, todos os anos, orgulhavam-se da qualidade do ensino, da disciplina, da limpeza e da organização de um dos melhores endereços da educação (popular) em Alagoas. De repente, como num filme de horror, o exemplar colégio aparece transmutado em uma indecência pública, em explícito desrespeito à cidadania e à memória de tantas pessoas que, durante décadas, com muito sucesso, deram tudo de si para educar os menos favorecidos economicamente.