Opinião
Os donos das ruas
Em entrevista publicada na terça-feira, o titular da Superintendência Municipal de Transporte e Trânsito de Maceió, Jorge Coutinho, discorreu sobre os desafios de se responder a todas as demandas colocadas. E, na verdade, a capital alagoana sofre do agravamento crônico da falta de consciência da urbanidade necessária. Essa precariedade na civilidade citadina se complica ainda mais com o crescimento acelerado do número de veículos em circulação, casado com o inchaço da malha urbana e com a dificuldade em se construir soluções viárias eficientes numa cidade que, desde as suas origens, tem crescido na mais pura oposição ao planejamento urbano. Em tal quadro, efetivamente, não é nada fácil tentar um mínimo de ordenação. Desrespeitar as leis e normas da urbanidade e do trânsito tem se conformado em um vício danoso e uma visão deturpada da liberdade de expressão e protesto tem agravado o problema. Num dos exemplos mais lamentáveis, banalizou-se as manifestações que usam o bloqueio do trânsito nas vias públicas com o maior despudor. Discorda-se da Lei que normatiza a distinção entre táxi e lotação? Bloqueia-se o tráfego, queima-se pneus na pista asfáltica, atrapalha-se a vida de milhares de pessoas e não se admite a intervenção das forças responsáveis pela ordem pública. Placas de sinalização? Nada valem em artérias vitais para o bom fluxo do trânsito, como a Rua do Sol, no Centro, onde se estaciona à esquerda e à direita (formando até irregulares pontos de táxis nas imediações da Igreja do Rosário). Em plena Avenida Álvaro Calheiros, o fluxo de veículos descidos do Viaduto João Lyra é surpreendido com a incrível desfaçatez de carros estacionados às portas de pizzarias e restaurantes, etc. De fato, há de se entender a necessidade do poder público ser rigoroso. E resistente às pressões dos que se acham donos das ruas.