Opinião
A luta continua
Não ensarilhar armas. O título que encima este artigo vem a propósito da votação no Senado Federal, possivelmente 17 de junho, de um veto do presidente da República a um projeto que faz justiça aos aposentados. Não é de agora a perseguição que o governo nutre à classe ainda hoje marginalizada, a dos aposentados, espécie de ?fantasma perseguido?, como bem sentenciou o grande poeta e escritor Carlos Drummond de Andrade, bem como o mestre sociólogo pernambucano Gilberto Freyre, quando asseverou: ?Aposentados, uni-vos?. Os ilustres intelectuais citados, como que já anteviam a perseguição, a má vontade e o desamor aos idosos inativos que são os ativos de hoje. É forçoso reconhecer, que aposentado, seja civil, militar, trabalhador em geral, não é responsável pelo descalabro e o ?rombo? que tornaram a Previdência Social ingovernável. Sabemos que exageros devem ser corrigidos, contudo, não se deve mistificar e nem punir os aposentados, com o fim de apresentá-los como ?bode expiatório?. De há muito tempo que se fala e se escreve acerca do Instituto de Aposentadoria ou Aposentação, como se diz em Portugal, quanto à má vontade, o desprezo dos governos à classe já referida. O eminente professor Themistocles Cavalcante, profundo conhecedor do Direito Administrativo, afirma com muita propriedade que o funcionário aposentado continua com vínculo ao Estado, tanto assim que em tempo hábil, pode voltar ao Estado por ato emanado do Chefe do Poder Executivo. E mais ainda, que os aposentados continuam a ser filhos da figura jurídica do Estado, e não enteados, rejeitados ou relegados como transparece os inimigos dos aposentados. Aposentados, não são rebotalhos, não são escorias sociais, nem enteados ou rejeitados, mas cidadãos ou cidadãs dignos do apreço da União. O funcionário aposentado, pois, não é o ocioso, o inútil, o encostado, como afirmam as opiniões inconsequentes de quem conhece o assunto somente pela rama. Com este Projeto, em vias de votação no Senado, o aposentado necessita de prosseguir na luta desigual, mas necessária, não ensarilhando armas. O aposentado tem de ser restituído à sua dignidade. (*) É procurador de Estado aposentado e membro do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas.