Opinião
Combatendo o crack
Repercutida, com propriedade, pela mídia, a tragédia causada pelo consumo de uma droga de alto poder pernicioso, o crack, ganha realce especial pelo fato de ter multiplicado extraordinariamente seu raio de ação em Alagoas, e, mui especialmente, em Maceió. Problema mundial há muito tempo, o consumo de drogas registra momentos de especial tragicidade ao longo da história. Durante séculos, o ópio esteve no topo das preocupações em vários países, e até guerras foram travadas para manter a traficância internacional, como nas (duas) tristemente famosas ?Guerras do Ópio?, que martirizaram o povo da China entre 1839 e 1842, e de 1856 a 1860, quando a civilizada Inglaterra usou de todo o seu poderio bélico para assegurar o tráfico daquela droga em prejuízo da população chinesa. Nos agitados anos 20, Paris sediou as modas avant garde, onde a cocaína, heroína, haxixe e o ópio impulsionavam uma geração onde artistas revolucionários eram a referência para um mundo de liberalidades sem par. Por sua vez, os anos 60, o despojamento dos hippies anunciava um tempo de paz e amor turbinado pelo LSD, primeira droga sintética a ganhar popularidade. E hoje, nas ruas, becos, entre dormentes e trilhos da linha férrea e até em logradouros públicos, o crack avança, consumido sem ilusões filosóficas nem fundamentações ideológicas. Subproduto da cocaína, esse alucinógeno de alto poder destrutivo tem sua periculosidade ampliada pelo relativo baixo preço de comercialização. Conhecido em Alagoas como ?noia?, de fato, se consolida como uma paranoia mortal para um número cada vez maior de vítimas, alimentando um círculo de assassinatos interligado ao tráfico, cada vez mais organizado e virulento. Sem dúvida, um grave problema que exige uma grave intervenção do poder público, pois essa tragédia social e humana se anuncia como apenas começando.