Opinião
Dores e reflex�es
Estarrecida, a opinião pública mundial acompanha as investigações sobre o desaparecido voo 447, da Air France, que partiu do Rio de Janeiro com destino a Paris e sumiu do espaço aéreo nas imediações de Fernando de Noronha. Meio de transporte mais seguro do mundo, o avião é suposto, em nossa ilusão humana, como invulnerável. Quando dos acidentes, nossa vulnerabilidade reaparece com força e a ciência aeronáutica perde a aparência divina (parecença que nunca se arvorou, mas que nós, os humanos tementes à morte, sempre teimamos em buscar a existência de algo infalível). Apesar de remotas, as esperanças de salvamento mantêm-se vivas, suspensa no ar como que garantidas por um fio etéreo, invisível aos olhos e perceptível apenas ao coração. A dor da tragédia, porém, não chega a nublar a certeza da segurança do transporte aéreo. A aeronave vitimada, um Airbus A330-200, até este desaparecimento em tela, nunca teve assinalado, sequer, um único acidente fatal em 11 anos de voos comerciais de longa distância. Estarrecido, o mundo acompanha a busca por sobreviventes e aguarda os esclarecimentos técnicos e científicos acerca do ocorrido, com a certeza de que, seja quais forem os resutados das buscas e investigações técnicas, novas e mais avançadas medidas de segurança serão tomadas para proteger o transporte aéreo. Essa mesma comoção coletiva precisa ser dirigida também às milhares de vítimas fatais (só para citar números brasileiros) dos acidentes ocorridos nos sistemas de transporte terrestre, onde a morte trafega sem contestação, nem surpresa, e com particular velocidade e voracidade nas estradas brasileiras. Em nossas rodovias, morre muito mais gente. Mortes anunciadas, a maioria delas evitáveis com mais e melhores investimentos em conservação e na política de segurança rodoviária.