Opinião
Popula��o indefesa
Ontem, para desagradável surpresa de trabalhadores e usuários do Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, ali aterrissou, sem ninguém saber por que ou para que, uma atabalhoada e temerária ?manifestação de protesto? . No decorrer da irresponsável manifestação, as autoridades aeroportuárias foram informadas que o ?protesto? teria como fulcro uma suposta interferência do novo aeroporto nas ruas alagadas (pelas torrenciais chuvas) em conjuntos habitacionais da redondeza. Sem qualquer estrutura que pudesse garantir a segurança de todos, o perigo da situação foi contornado graças a habilidade verbal da direção da Infraero. Mesmo dissipados os riscos da inconsequente manifestação de ontem, hoje a realidade em Alagoas segue sendo de completa insegurança nesse aspecto. Não há reação da segurança pública contra nenhum tipo de manifestação agressiva. A política implementada, há anos, é de total leniência para com a bagunça, num completo desserviço à democracia. Se antes existia uma repressão radical aos protestos populares, hoje vivemos a radicalidade da impotência do poder constituído em manter uma ordem mínima capaz de garantir a segurança do público. Independente da justeza da causa do protesto, é flagrante a injustiça causada pela forma de protestar: por quaisquer motivos, danifica-se o patrimônio público e são praticados gestos de fundo desrespeito à população como as interrupções de tráfego. Invade-se portos e aeroportos e até uma subestação elétrica já foi ocupada (numa ação de altíssimo risco, para os manifestantes, em primeiro lugar). Flácida, permissiva, a atual política de insegurança pública manieta as forças policiais, impede a defesa da população como um todo e amplia, em muito, os riscos de graves tragédias graças a um paternalismo exacerbado que tem atrofiado o conceito dos Direitos Humanos.