Editorial
Limite ameaçado

O possível fim do tratado New Start marca um momento de mudança preocupante na articulação global de controle de armas nucleares. Firmado em 2010 por Rússia e Estados Unidos, o acordo impôs limites aos arsenais das duas maiores potências nucleares do planeta. Sua expiração, nesta quinta-feira (5), sem perspectiva clara de renovação, abre um vazio institucional de grandes proporções.
Sem o New Start, desaparecem não apenas os tetos para ogivas e vetores nucleares, mas também os mecanismos de inspeção e transparência que reduziam o risco de erros de cálculo. A ausência desses instrumentos tende a alimentar a desconfiança mútua, incentivar a modernização acelerada de arsenais e reacender uma corrida armamentista que o mundo acreditava ter deixado para trás com o fim da Guerra Fria.
As consequências extrapolam a relação entre Moscou e Washington, pois enfraquece todo o regime internacional de não proliferação, envia sinais perigosos a outras potências nucleares e torna mais difícil conter ambições atômicas em regiões já instáveis.
Diante desse quadro, a não renovação do tratado deve ser tratada como um alerta estratégico. A reconstrução de canais de diálogo e de compromissos mínimos de controle nuclear é uma necessidade coletiva para a segurança global.
