Opinião
Respeito � hist�ria
Marechal Deodoro, a cidade, é um dos sítios históricos mais importantes do Brasil. Ali, na breve capital da província das Alagoas, aconteceram episódios de grande valor para a construção de nosso País, desde os episódios ligados à invasão holandesa até a gênese (casualmente) da República. Como se não bastassem os arruados e logradouros repletos de história política, o patrimônio sacro é sobejamente valioso, contendo, mesmo desgastados pelo tempo e aviltados pelo descaso, importantes obras móveis e imóveis do barroco brasileiro. Tão destacado é o patrimônio histórico na primeira capital alagoana que até a antiga cadeia tem lugar garantido na história brasileira, pois ali, ainda rapazote, foi encarcerado o futuro Visconde de Sinimbu. Ainda o menino João, ele acompanhava a mãe, a revolucionária Ana Lins, detida por seu apoio à revolução fracassada de 1817, pois a autoridade daquela senhora desaconselhava deixá-la sozinha na cela. Duas décadas depois, o meninote era um jovem político e, em 1839, assumia provisoriamente o governo alagoano e sacramentava a transferência da capital para Maceió. E por conta dessa transferência, toda a família Fonseca, derrotada na guerra contra a mudança da sede do governo, teve de migrar para o Rio de Janeiro, donde seguiu carreira Deodoro, mais tarde o Proclamador. Muitas histórias tem endereço fixo, imutável, na velha Marechal Deodoro. Muitos imóveis já se perderam, deformados por reformas ou simplesmente demolidos. As igrejas, em sua imponência e esmero arquitetônico, e suas obras de arte sacra, são os principais sobreviventes que ainda poderm ser resgatados pela via das restaurações. E é isso que se tenta fazer. Com razão, o arcebispo e o prefeito da cidade cobram respostas objetivas para a interrupção das obras e a imediata retomada dos trabalhos. É indesculpável a continuidade do descaso.