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Os cisnes negros

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Quem está preparado para os grandes imprevistos da vida?O prêmio Nobel Kanemann deu uma entrevista na Folha de São Paulo de domingo passado, onde partindo da crise financeira global e da grande dificuldade que as pessoas afetadas tiveram para enfrentar os seus efeitos, principalmente os pequenos investidores, aqueles que investiram as economias de toda uma vida no mercado de capitais e foram os mais prejudicados, o nobel, um psicólogo, alertava para a dificuldade que todos têm para enfrentar aquilo que não está programado. Estes eventos imprevistos que viram de cabeça para baixo a vida foram chamados por ele de ?cisnes negros?. Coincidentemente, a semana começou de forma trágica: o moderno Airbus A330, da rota Rio-Paris desapareceu no Oceano Atlântico durante o seu longo voo noturno. Considerado o meio de transporte mais seguro, a aviação, como tudo na vida, tem os seus imprevistos que podem em poucos minutos mudar uma vida ou até findá-la. Entre as vítimas, quem não tinha os seus planos para o futuro? Os seus sonhos, bruscamente interrompidos, naquela fração de segundos, que para eles foram uma eternidade de agonia? Todavia, mesmo diante das evidências que se acumulavam dia-a-dia de que não existiriam sobreviventes, os parentes e amigos ansiavam por um milagre. Eles tinham apenas um sonho na vida: que os seus entes queridos estivessem vivos. Como afirmou Freud: ?Todos os sonhos tem o sonhador como centro. Os sonhos são absolutamente egoístas?. Entre tantas possibilidades surgidas para explicar o inexplicável, uma fornecida por comandantes americanos que trabalham esta aeronave é particularmente instigante:os computadores de bordo, frente à situações críticas imprevistas,entram em pane e funcionam contrariamente ao que deveriam, inclusive impossibilitando o comando pessoal dos aeronautas. Esta versão, explicaria também por que o avião estaria com velocidade e altitude incompatíveis naquele momento. Esta possibilidade de a máquina ao invés de auxiliar o ser humano, ser-lhe antagônica, tem povoado o imaginário dos escritores de ficção científica continuamente; para os adoradores incondicionais da tecnologia, isto seria uma blasfêmia. Se os computadores mais avançados não estão preparados para enfrentar o imprevisível exacerbado, quem está afinal preparado para enfrentar os imprevistos mais graves da vida: aqueles que nos espreitam a cada momento, a cada esquina que dobramos? Os cisnes negros? (*) É médico e professor da Uncisal.

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