Opinião
Palavras inovadoras
Enquanto a diplomacia brasileira parece regredir e perder sabedoria a mancheias, o mundo tem recebido lições primorosas de inteligência nas relações internacionais. Barack Obama em sido um professor aplicado e ousado. As ações e pronunciamentos do presidente dos Estados Unidos da América precisam ser devidamente acompanhadas e entendidas pelo resto do mundo interessado em fazer política. Naturalmente a única superpotência mundial não se converteu numa instituição filantrópica, nem muito menos abriu mão de seus grandes interesses globais (obviamente em contradição com boa parte do resto do mundo), mas, sem dúvida, o novo governo americano está investindo em políticas diferenciadas, procurando reduzir os atritos e, pelo menos, garantir ao resto do mundo que está disposto a dialogar. Confirmando as expectativas, o discurso de Obama na cidade do Cairo, há dois dias, provocou forte impacto positivo. Ampla em seu alcance político e bem fundamentada em seu conteúdo, a fala do presidente dos Estados Unidos inovou em mais de um aspecto estremamente delicado para o contexto onde foi pronunciada. Ecumenicamente correta ao discorrer sobre o Islamismo e ousada ao referir-se ao (sonhado) Estado palestino, a voz de Obama foi direta e segura ao discordar da expansão dos assentamentos israelenses, assim como foi generosa ao reconhecer o direito de todos países (inclusive o Irã) em desenvolver projetos de uso pacífico para a energia nuclear. E assim, nessa toada absolutamente inovadora, o discurso do presidente dos Estados Unidos vai anunciando as possibilidades reais de novos relacionamentos entre países, governos, povos e forças sociais (e religiosas). A paz ainda não se divisa no horizonte, nem o colosso americano está se propondo a ser menos armado, mas estamos diante de palavras alvissareiras.