Opinião
Ano Paulino: uma proposta de santidade
| DOM ANTONIO MUNIZ * O dom particular do ministério sacerdotal deve pouco a pouco gerar um modo concreto de ser e atuar no mundo. O nosso ser, a nossa identidade e a nossa missão devem sua dinâmica a uma razão profundamente teologal. Esta, meditada, aprofundada e vivida dia após dia, cria um estilo de vida sacerdotal, estilo este que tem a santidade como apelo fontal, como dinâmica quotidiana e como ponto de chegada. O chamado ao sacerdócio ministerial é essencialmente um chamado à santidade, na forma que brota do sacramento da Ordem. A santidade é intimidade com Deus, é imitação de Cristo pobre, casto, e humilde; é amor sem reservas às almas e doação ao verdadeiro bem; é amor à Igreja que é santa e nos quer santos, porque tal é a missão que Cristo lhe confiou (Pastores dabo vobis, 33). Jesus chama os Apóstolos para que estejam com Ele.(Mc 3,14) numa intimidade privilegiada ( Lc. 8, 1- 2; 22, 28). Não somente os faz partícipes dos mistérios do Reino dos céus (Cf. Mt.13,16-18), mas espera deles uma fidelidade compatível com o ministério apostólico ao qual são eles chamados. Exige deles uma pobreza mais rigorosa (Cf. Mt 19, 22-23), a humildade do servo que se faz o último de todos (cf. Mt. 20, 25-27). Pede a fé e a confiança nos poderes recebidos (Cf. Mt.17,19-21) a oração o jejum como instrumentos eficazes de apostolado (cf. Mc 9, 29) a gratuidade: Gratuitamente recebestes, dai gratuitamente . (Mt. 10, 8). Deles espera a prudência unida à simplicidade e à retidão moral (cf. Mt. 10, 26-28); o abandono à providência (Cf. Lc 9, 1-3; 19, 22-23). Não deve faltar-lhes a consciência da responsabilidade assumida, enquanto administradores dos mistérios instituídos pelo mestre e operários de sua vinha (cf. Lc 12, 43-48). O sacerdote é assim chamado em suas próprias circunstâncias, dentro daquele espaço existencial onde Deus o colocou e acendeu nele o desejo de encontrar, conhecer e amar a Cristo, como sendo razão de sua vida e de seu ministério. Neste espaço humano singular concreto, o sacerdote é impelido a crescer na identificação pessoal com Cristo e a dar a si mesmo e à comunidade, com o testemunho da própria vida, respostas cada vez mais consistentes e coerentes diante do chamado de Deus. (*) Da Ordem Carmelita, é arcebispo metropolitano de Maceió.