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Desafios do desenvolvimento da ci�ncia e da tecnologia

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Nos últimos 50-60 anos, a atividade organizada de produção de conhecimento científico estabeleceu-se no País. Foram fundamentais para isso a institucionalização da pós-graduação e a estruturação de um sistema de financiamento à pesquisa. Entidades como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e as fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs) foram e são agentes executores dinâmicos do processo. Como indicador do êxito desse sistema, temos hoje que o Brasil participa com 2% da produção científica mundial, índice que é basicamente o mesmo da participação do PIB brasileiro no PIB mundial. Estabelecida essa plataforma básica de ciência e tecnologia (C&T), temos agora a responsabilidade de ampliar o sistema existente e nos dedicar às demandas do desenvolvimento do País. Isso implica o enfrentamento de grandes e urgentes desafios. Apresento aqui cinco deles. O primeiro desafio é melhorar substancialmente a educação básica e média, o que requer o engajamento da comunidade científica. Não podemos nos furtar à participação, especialmente na questão do ensino das ciências e das matemáticas. Educação é o mais importante requisito para a inclusão social. A ampliação de vagas nas universidades públicas é outro grande desafio. A instituição pública é a que de fato está aberta para os filhos da nova classe média, e o atendimento da demanda por profissionais de ensino superior e técnico é condição para o desenvolvimento do País. A ciência brasileira está cerca de 70% localizada na região Sudeste. Trata-se de um desequilíbrio que não pode perdurar, constituindo-se num desafio para as políticas de C&T. Temos que redirecionar investimentos federais e estimular as FAPs locais. A melhor distribuição das atividades de C,T&I no País contribuirão para a superação das desigualdades regionais. Outro importante desafio reside na necessidade de aproximação entre universidades e empresas para a realização de pesquisas. O Brasil já aprendeu a transformar dinheiro em conhecimento; agora, precisamos aprender a transformar conhecimento em riqueza, em benefício da sociedade e da economia do País. Finalmente, menciono o desafio de se criar marcos legais coerentes com a prática da ciência e da tecnologia. Para que possa contribuir adequadamente para o desenvolvimento do País, nosso sistema precisa de leis que sejam um estímulo, e não um entrave, às suas atividades. (*) É matemático e presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

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