Editorial
Urgência

A divulgação do Plano Clima pelo governo federal na semana passada recoloca o Brasil no centro do debate global sobre o enfrentamento às mudanças climáticas. Em um país cada vez mais exposto a ondas de calor, secas prolongadas e enchentes devastadoras, planejar a redução da poluição e a adaptação da população a eventos extremos deixou de ser uma escolha política e passou a ser uma urgência social, econômica e ambiental.
O compromisso de reduzir entre 59% e 67% das emissões de gases de efeito estufa até 2035 sinaliza responsabilidade internacional e alinhamento ao Acordo de Paris. No entanto, ao permitir que setores ampliem suas emissões nos próximos anos, enquanto aposta no fim do desmatamento até 2030, o País assume um delicado equilíbrio entre crescimento e proteção ambiental.
Esse pragmatismo, embora compreensível diante de incertezas econômicas e políticas, não pode servir de justificativa para a falta de ousadia. Como alertam especialistas, metas excessivamente flexíveis podem comprometer resultados.
Mais do que um documento técnico, o Plano Clima deve ser encarado como um pacto nacional. Enfrentar a crise climática implica repensar o modelo de desenvolvimento, acelerar a transição energética e garantir que a proteção ambiental caminhe junto com justiça social.
