Opinião
Arte radiosa
É comum o olhar da grande mídia focar, com especial apuro, o que considera negativo do destaque de Alagoas. Seja na política, seja na economia, seja no noticiário policial, ou até mesmo em ?obras? de ficção televisiva, finda prevalecendo a miopia voluntária do preconceito, privilegiando, através de uma lente de aumento ou da pura e simples invencionice, o que seria ?defeito alagoano?. Mas, em função de um viés preconceituoso, nossos problemas e polêmicas parecem ser mais problemáticos e mais polêmicos que as mesmas ocorrências alhures. Porém, debates à parte, na arte e cultura, pelo menos, o brilho alagoano mantém seu realce, mesmo, muitas das vezes, sob o silêncio daqueles que salientam as supostas sombras caetés. Nesse rumo, topamos com uma ótima notícia (adiantada aqui pela Gazeta de Alagoas, na semana passada): um alagoano tem presença destacada no principal evento de artes plásticas do mundo, a Bienal de Veneza. Delson Uchôa, confirmando sua posição como um dos principais artistas contemporâneos brasileiros, está com suas obras expostas naquela prestigiada bienal. Segundo a BBC, ?o espaço do Brasil apresenta para Veneza duas realidades com cores bem vivas: a de Maceió, com os quadros de Delson Uchôa, e a de Belém, com os painéis fotográficos de Luiz Braga?. A BBC, em sua versão digital em português, destaca a obra do alagoano e lhe abre espaço para declarações sobre seu trabalho, num reconhecimento à importância dessa participação. Reconhecimento justo e que deveria ter justos reflexos em nosso próprio Estado, até como incentivo para que novos talentos desabrochem, inspirados pelo reconhecimento universal da alta qualidade da arte nascida em Alagoas, como nos casos de Djavan, Hermeto Pascoal, Fernando Melo (Duofel) e tantos outros astros contemporâneos.