Opinião
Reflex�es de um ribeirinho do S�o Francisco
Todo rio caudaloso tem uma nascente: fio de água, que vai aumentando, engrossando e se transforma num grande volume de água. Quase sempre um rio alegre que flui sem descanso, não beijando duas vezes a mesma pedra, não banhando duas vezes a mesma encosta florida, correndo e cantando por montes e vales. Tive a felicidade de conhecer o local onde nasce o Rio São Francisco, um pequeno córrego que desliza entre pedras e folhagens, na Serra da Canastra, em Minas Gerais. Somente com as asas da imaginação, podemos visualizar como ele se transforma, mais adiante, em um dos grandes rios do planeta. Abandoná-lo ou prejudicá-lo é um crime; assim pensei, num fim de semana passado na cidade de Porto Real do Colégio, às margens desse ?rio da unidade nacional?. Transposição é o tema de muitas conversas. Em recuperação de suas margens, revitalização, ninguém acredita. Saneamento, e recuperação do assoreamento que dificulta o trânsito fluvial de embarcações, muito menos. Uma política que possua como meta a estabilização da economia alagoana ou um programa de desenvolvimento rural integrado, inevitavelmente, deverão priorizar a região sanfranciscana, transformando-a em centro polarizador de crescimento econômico e social. O todo sem a parte, não é todo. Enquanto isso não é realizado, boa parte de sua população ribeirinha continua empobrecida, resistindo às intempéries e circunstâncias. A região é viável. Mas a ação do poder federal prejudicou-a, antes, através da Codevasf, que em décadas anteriores desorganizou o sistema produtivo original; atualmente, por uma transposição que pode prejudicar esse grande rio. A escassez de chuvas trouxe outra calamidade: sensível diminuição da produção de algodão, milho e feijão. Todavia, há muitas boas ideias que poderiam ser aproveitadas. O crescimento do turismo é uma delas. Espera-se que o projeto da construção de uma estrada margeando o Rio São Francisco, de Piaçabuçu à cidade de Piranhas, seja fator de incremento do processo turístico, comercial e agrícola. Em conversas, com o pessoal local, algumas ideias foram sugeridas. A pesca artesanal poderá ser melhorada, com linhas de crédito especiais que poderão ajudar essa atividade produtiva ribeirinha. O artesanato da região é rico e diversificado. A criação de um polo industrial, em Penedo, daria continuidade a alguns núcleos já existentes. São reflexões que me sensibilizam diante da beleza extraordinária e produtiva dessa artéria fluvial, que tem tudo para ser um dos epicentros da economia alagoana. (*) É médico e ex-secretário de Educação e de Saúde.