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Crise, por qu�?

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Recebi, por e-mail, essa história, com um questionamento: se a crise, às vezes, não é implantada e cultivada apenas para nos deixar derrotados e até que ponto pode interferir no nosso dia-a-dia. Conta que, em uma pequena vila, onde todos se conhecem, um rico turista chega ao balcão do hotel, coloca uma nota de cem euros e solicita que lhe seja entregue a chave de um quarto, com a condição de devolvê-la caso não goste. Sem perder tempo, o dono do hotel corre ao açougueiro, a quem deve, e paga os cem euros. O mesmo faz o dono do açougue em relação ao proprietário do matadouro, quitando sua dívida. Célere, o marchante vai ao criador e também salda seu débito. E como este devia cem euros à uma prostituta por serviços prestados, paga-lhe. Devedora de algumas horas ocupadas em quartos do hotel, leva os cem euros ao hoteleiro que vê voltar a nota para si. Na sequência, volta o pretenso hóspede, dizendo não ter gostado dos aposentos, recebendo sua nota de volta. Assim, todos pagaram a todos e ainda houve a devolução da quantia ao viajante. Simples, mas interessante, o desfecho desse relato. Mas, suponhamos que, se o hoteleiro tivesse iniciado essa transação com um cheque sem provisão, ou seja, sem fundos, o resultado teria sido o mesmo. Todos pagariam suas dívidas, retornando o cheque ao seu emitente para ser rasgado. Detalhe importante para se destacar é o fato de que o pretenso hóspede foi, sem querer, um financiador daquela operação. Lógico que, sem a usura, ou seja, a cobrança de juros. Poderia ter sido um pequeno fomentador da economia local, caso permanecesse hospedado, injetando dinheiro novo naquele meio circulante. Pergunta-se: como se instalaria uma crise em tão simples comunidade? Bastaria que não fossem respeitadas as normas preceituais e ao invés do simples ?pagar a quem se deve?, qualquer um dos personagens dessa ficção efetuasse um novo consumo ou no caso do cheque, tentasse recebê-lo. Instalar-se-ia uma crise iminente. A grande lição que se tira dessa história é quando se faz a projeção de uma economia tão simples para o mundo globalizado atual, com seus desmandos e desrespeitos às regras ou a inexistência delas. A busca desenfreada de lucros exorbitantes, com foco no meio financeiro internacional, criando uma verdadeira bolha, ao emprestar até seis vezes o seu montante em depósitos, tem trazido para todos nós sobressaltos e a carência da tranquilidade reinante naquela vila. (*) É bacharel em Economia ([email protected]).

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