Opinião
Custo dos buracos
VINÍCIUS MAIA NOBRE * Não gostaria de voltar ao assunto tantas foram as vezes que neste espaço abordei os problemas da malha viária de Maceió. Instado por amigos e de tanto receber solavancos dos buracos das ruas de nossa outrora cidade sorriso, e ainda com as desculpas esfarrapadas dos que deviam adotar providências mais adequadas, volto a tratar de tema tão atual. Já disse da necessidade de se cadastrar as ruas pavimentadas, onde se constassem todos os elementos indispensáveis às intervenções nas suas conservações e restaurações. As autoridades municipais dizem sempre que a nossa malha pavimentada é velha, contudo não especificam o tempo de suas últimas intervenções. É uma tola desculpa. Bastaria citar muitas ruas e avenidas que recentemente foram pavimentadas e nelas estão surgindo imperfeições no pavimento. Em determinadas vias a solução com pavimento em paralelepípedos de pedra granítica seria mais apropriada, face sua conservação ter uma baixa relação custo/benefício. Ademais, seu valor final é menor, gerando mais empregos tão reclamados e recursos que aqui permaneceriam na utilização da principal matéria-prima e mão-de- obra menos especializada. Claro que sua superfície é menos suave que na do asfalto, mas se tratando de ruas com baixa velocidade diretriz, o desconforto seria recompensado. Poder-se-ia citar muitas ruas recém-pavimentadas com critério ou mesmo mais antigas a exemplo do acesso ao cais do Porto, que estão suportando a ação do tempo com resultados satisfatórios. Pavimentar usando como superfície de rolamento material betuminoso requer cuidados desde a quantificação do tráfego, características dos veículos, sua freqüência, carga por eixo e outras para se escolher o material adequado. Não basta somente isso. É indispensável a dosagem dos materiais e fundamentalmente, seu controle em campo. Há controle? Nos velhos tempos, o DER de Alagoas prestava esse serviço, pois possuía laboratório bem instalado e equipado. O nosso órgão rodoviário totalmente sucateado em sua estrutura técnica deixou de fazer seus serviços e a terceiros, aí se incluindo a nossa municipalidade. Ora, todos sabem que a maioria dos serviços é terceirizada. Os contratantes obedecem às especificações? Existem no local fiscais capacitados medindo, retirando amostras e ensaiando-as? Creio que não. Nunca se viu tantos buracos e a despeito da boa vontade de alguns engenheiros da Prefeitura de reconhecida idoneidade técnica, vamos sofrer muito com a falta de planejamento dos órgãos municipais. Ninguém, mesmo o cidadão mais ingênuo, acredita na história de que não se faz muita coisa em função das demasiadas chuvas que têm se precipitado e, que logo que o sol volte a brilhar tudo será reparado. É um ledo engano assim se pensar. Mesmo o verão chegando mais cedo, antes das eleições, os buracos desfeitos convenientemente ou não, a solução não será por aí, pois como tumor maligno, a metástase ocorreu e paliativos não resolvem. Virão novas chuvas e os defeitos persistirão, talvez até com maior incidência. Falta de recursos suficientes para se retirar em muitas ruas o pavimento já oxidado e refazê-lo com técnica apurada, parece-me que é a principal causa. Mas, qual o custo dos buracos, ou melhor, quanto custa refazer a malha pavimentada de Maceió? Alguns milhões de reais que não se tem. Os recursos são escassos, mas o cidadão comum fica imaginando que com cortes nos gastos de despesas supérfluas, tais como vultosos cachês de artistas que aqui se exibem de vez em quando, publicidade em demasia, redução nas tarifas aéreas em viagens dos executivos, repasses das multas provenientes dos esfomeados ?pardais? e outros, bem que poderiam desafogar o bolso de todos nós. Ao menos dariam para fazer modificações no caótico trânsito do Farol como bem realizaram na orla marítima. Não, seriam insuficientes para remanejar os retornos na Fernandes Lima, então façam alguma coisa na Tomaz Espíndola. Não custa tentar, é só trabalhar na prancheta. (*) É ENGENHEIRO CIVIL E-MAIL: [email protected]