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Opinião

A energia no clima

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Três grandes questões fazem parte dos debates sobre energia no planeta: o aquecimento global, o preço do petróleo e o conflito energia x alimentos. A União Europeia, na reunião do Conselho Europeu de 9/3/2007, estabeleceu o objetivo 20/20/20 para todos os seus membros. Eles terão que adotar e promover políticas energéticas que possibilitem, até 2020, reduzir em 20% as emissões de CO2, que suas matrizes tenham 20% de energia renovável e que haja uma redução de 20% no consumo de energia primária na UE. Em síntese, investir em fontes alternativas e em eficiência energética. Isso é mais uma prova que governos, organismos multi e intragovernamentais colocam a sustentabilidade ambiental, a segurança energética e a qualidade do fornecimento no topo das suas prioridades. Todos esperam que em dezembro, em Copenhague, um novo acordo substitua o Protocolo de Kyoto (1997), que fixou uma meta de redução de 5,2% nas emissões de gases poluentes pelos países industrializados, a ser atingida entre 2008 e 2012, que não será atingida. O Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) considera indispensável que as emissões sejam reduzidas em 80% até 2050 para evitar que a temperatura suba mais de 2 graus. Para isso será necessário aplicar US$ 1,2 trilhão/ano nas renováveis, 2% do PIB mundial. A Agência Internacional de Energia (AIE) calcula que não há como impedir que esse aumento chegue aos 3 graus. A crise financeira já nos mostra que, na ?onda verde?, só as iniciativas mais viáveis e consistentes devem sobreviver. Com uma matriz energética de 45,3% de fontes renováveis (hidráulica, cana-de-açúcar e biomassa) e 54,7% de não renováveis, e uma matriz elétrica de 85,4% renovável, porque a hidráulica é assim considerada, o Brasil não tem assumido o compromisso de redução das metas de emissões. Dois são os argumentos de recusa das metas obrigatórias: 1) Que a maior obrigação é dos países industrializados, que já emitem há muito tempo, é verdade; 2) Que o compromisso da obrigatoriedade resulta em restrições à soberania nacional no uso de recursos naturais, vindo a comprometer o desenvolvimento econômico, é questionável porque com os desmatamentos e as queimadas já somos o 4° maior emissor do planeta. Dos 54 mil MW de geração que deverão ser acrescentados no sistema, mais de 14 mil MW serão de energia térmica, a maior parte delas movidas a óleo combustível. (*) É secretário adjunto de Minas e Energia, Secretaria de Estado do Desenvolvimento Econômico, Energia e Logística.

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