Opinião
Ci�ncias da sa�de
Neste momento onde a saúde volta a ser uma das grandes preocupações globais, em função da pandemia de gripe suína, o gênio brasileiro no segmento das ciências médicas merece ser valorizado, até como forma de incentivo às novas gerações e a maiores investimentos para pesquisas médicas. Neste ano de 2009, quando o mundo volta a se assombrar com o espectro de uma moléstia transmissível a partir de uma interação dos humanos com outras espécies animais, os brasileiros não deveriam valorizar obras de compatriotas como Carlos Chagas, que, por sinal, é a grande referência de comemorações para este ano, em função do centenário da descoberta da Doença de Chagas. Ainda hoje, um século depois, ainda surpreende e extasia a comunidade científica internacional a exatidão e a rapidez que marcam a descoberta de Carlos Chagas, capaz de identificar, em exíguo tempo de pesquisa (in loco), ?o patógeno e seu ciclo evolutivo, o vetor, os hospedeiros, as manifestações clínicas (em suas fases aguda e crônica) e a epidemiologia da doença, um feito único na biomedicina? (segundo Rogério Lannes Rocha, coordenador do programa Radis). Homem e cidadão profundamente dedicado à causa pública, Carlos Chagas visava unicamente a vitória numa batalha de interesse coletivo, genuinamente cidadã: identificar e derrotar um inimigo da saúde pública que martirizava e findava por matar um grande número de seres humanos a partir de um aparentemente inofensivo ?besouro?, o hematófago popularmente conhecido como barbeiro, e que infestava principalmente as casas de taipa. Sob a ameaça da gripe suína, sob o flagelo da dengue e outras tantas mazelas típicas do menosprezo à saúde pública, o povo brasileiro deveria comemorar o centenário da conquista de Carlos Chagas cobrando das autoridades a retomada, pelo menos de parte, dessa competência perdida.