Opinião
Crise gerenciada
Enfim prevaleceu o interesse em restabelecer o direito universal de ir e vir da população de Maceió, frequentemente vilipendiado por quaisquer manifestações, por quaisquer motivações, que decida, a seu bel prazer, interromper o trânsito nas ruas da capital ou nas rodovias que cortam Alagoas. Ontem, pela vez primeira, em muitos anos, as autoridades resolveram fazer o que cabe às autoridades: garantir o direito dos cidadãos a ir e vir ? pelo menos. Não será estranho a ocorrência de excessos, até porque a polícia alagoana está completamente fora de forma em termos de restabelecimento da ordem pública, pois há muitos anos o que tem sido praticado é uma política leniente, aquiescente com a desordem, onde grupos ?de gerenciamento? se esmeram em obstar o trabalho da própria polícia em benefício da bagunça, garantindo a falta de respeito dos baderneiros contra o bem-estar da população, sempre a primeira e única prejudicada com a interrupção do trânsito em vias urbanas e estradas, e/ou com o boicote de de serviços públicos essenciais, e/ou outras tantas formas pelas quais a politização foi substituída pela avacalhação. Que seja restabelecido o direito de protestar em atos de coragem contra os poderosos. Mas o que hoje se pratica é a petulância de usar formas de protesto tendo como alvo a população indefesa, num despautério cometido, mais das vezes, com a cobertura ? ou ?gerenciamento de crise? ? da própria autoridade constituída. As justas reivindicações dos segmentos que se sentem prejudicados (por motivos meritórios, ou não) não podem ser validadas por meio de métodos injustos e especialmente desleais para com o conjunto da população. Sem cometer excessos, a missão da autoridade pública é fazer valer os interesses da maioria da população em contraposição ao interesse de grupo. Esse é o verdadeiro gerenciamento das crises.