Opinião
Onde est� a responsabilidade humana?
Sempre houve desastres aéreos, mesmo depois que a tecnologia possibilitou às aeronaves todas as formas de segurança nos voos. Se considerarmos o número de aviões que cortam os ares todas as horas, são mínimos os acidentes, porém são chocantes, pois matam um número grande de pessoas quando acontecem. O mundo todo toma conhecimento e se apavora. Eles dependem do tempo, das falhas humanas, dos defeitos técnicos do transporte. Mas estes dois últimos motivos são imperdoáveis porque transparecem a irresponsabilidade daqueles que se dedicam a um mister para o qual não estão devidamente preparados e no segundo caso é inadmissível que fábricas e companhias aéreas entreguem ao público suas máquinas defeituosas, achando-se no direito de negligenciar à correção das mesmas quando estão em jogo vidas humanas. De um tempo para cá houve uma série de acidentes incabíveis, por incorreções na construção e manutenção de aviões. Alguns, felizmente, apenas assustaram os viajantes, mas outros ceifaram a vida de dezenas de pessoas de maneira bestial e irredimível. Um, da Gol, foi por descuido dos piloto do Legacy (avião pequeno) ou por erro dos controladores de voo, não estou segura, chocaram-se num céu tão grande, deixando mais de cem mortos. Outro, dramático, por defeitos no ?Reverse? ou por erro do piloto, explodiu no momento da aterrissagem, carbonizando todos os passageiros. Um que vinha de São Paulo felizmente escapou da despressurização, e, com a queda das máscaras de oxigênio, graças a Deus, não passou de um susto. Um outro atravessou uma zona de turbulência brusca deixando várias pessoas feridas por terem batido com a cabeça no teto do avião. Há poucos dias três Airbus 330 tiveram que fazer pousos forçados por motivos técnicos, segundo vi na televisão. O que aconteceu com o voo 447 da Air France no dia 30 último, foi terrível, 228 mortos. Os defeitos nos A330 e A340 foram alertados pela Enasa (Agência Européia de Segurança da Aviação) desde 16 de janeiro. Se pensam ter sido uma falha na construção desses transportes, porque não foram revistos antes de provocarem tanta desgraça? Foi uma insensatez sem desculpas. Quantas famílias perderam seus entes queridos! Dor que jamais se apagará de suas memórias! E as cenas dantescas da busca dos corpos! Terrivelmente reais e dolorosas! E não estamos falando dos desastres acontecidos no resto do mundo! As empresas não devem ter prejuízo material, porque os aviões são segurados, do contrário seriam mais cuidadosas (é diferente quando o prejuízo é no bolso). Ficamos ansiosos para que encontrem as tais caixas-pretas, que acusam os motivos da queda e, quem sabe assim, mais acidentes sejam evitados. (*) É escritora.