Opinião
O encontro com a beleza
Não é, porventura, verdade que só amamos o que é belo? Mas que coisa é a beleza? ?Que coisa nos alicia e nos afaga naquilo que amamos?? ? pergunta Santo Agostinho. Se nas coisas não houvesse decoro e beleza, jamais nos atrairiam. Prefiro, então, perguntar: as coisas são belas, porque agradam; ou agradam porque são belas? Para Chaplin ? ?um cérebro criativo é capaz de transfigurar em beleza a vida, a natureza, a humanidade?. Shakespeare afiançava: ?A beleza exterior se engrandece quando serve de invólucro à beleza interior?. O mesmo pensava o gênio do cinema mudo: ?A beleza não está no rosto, mas, sim no coração?. M. del Picchia, deste modo, se expressava: ?A beleza não está nas coisas, senão na alma?. Todo ser é belo, daquela participativa beleza de Deus. Somente do mirante da beleza, do pedestal da beleza estética, podemos apreciar a realidade com outros olhos. Não poucos escolásticos acrescentaram aos transcendentais do ser ? um, bom e verdadeiro ? o da beleza. Todo ser é belo. Se são nossos olhos educados para a beleza, saberemos descobrir o belo em todas as coisas, sob as diversas formas: literatura, pintura, cinema, escultura, música, iconografia. Na área educacional, deveria haver intensa preocupação para tudo quanto circundasse a criança, no ambiente da educação infantil, nas escolas, nas salas de aula. Que no ambiente de estudo, houvesse beleza, como provocação à estética. Acostumar o educando, desde a mais tenra idade, a ver pinturas, quadros artísticos, a ouvir músicas finas, eruditas, a ler textos de literatura, mormente, peças poéticas. Infelizmente, por diversos momentos, o baixo nível dos programas televisivos e radiofônicos batalha em linha oposta, ensinando a mal escrever e, a erroneamente, falar. Qualquer ser humano, psiquicamente equilibrado, ama o que é belo. Quem gosta do que é feio é intelectual falido. O homem simples da roça, do campo, só gosta do que é bonito: de igreja bem iluminada, de altares engalanados, de paramentos vistosos nas festas dos padroeiros, de girândolas mirabolantes. É de se ver a felicidade estampada no semblante sorridente do matuto nordestino diante da charola do padroeiro (a) engalanada de flores vistosas. É que a beleza educa para o amor, enquanto a desarmonia estética conduz para a violência. (*) É bispo emérito de Palmeira dos Índios e presidente da Academia Alagoana de Letras.