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O mais recente Censo Escolar, divulgado pelo Ministério da Educação com dados sistematizados pelo Inep, traz um dado que exige análise técnica e prudência política: o ensino médio encolheu 5,4% em apenas um ano. O País passou de 6,7 milhões de estudantes matriculados na rede pública em 2024 para 6,3 milhões em 2025, uma redução de 425 mil jovens. Trata-se do recuo mais acentuado da última década na educação básica.

Embora o MEC sustente que a queda decorre, em grande parte, da diminuição da população em idade escolar e da redução da repetência, os números do ensino médio impõem reflexão mais aprofundada.

O ensino médio é a etapa mais sensível da trajetória educacional. É nesse período que se consolidam competências cognitivas, técnicas e socioemocionais decisivas tanto para o ingresso no ensino superior quanto para a inserção no mercado de trabalho. Uma retração expressiva nas matrículas pode indicar não apenas fatores demográficos, mas também desinteresse, evasão ou dificuldades de permanência.

O Brasil atravessa uma transição demográfica acelerada. Justamente por isso, cada estudante fora da escola, ou sem acesso a uma formação consistente, tem peso ainda maior no futuro do País. É imperativo que eventual redução quantitativa esteja acompanhada de melhoria substantiva na qualidade, na permanência e na relevância do ensino médio.

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