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Opinião

Tempos e desejos

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No artigo Hora da Mudança, o ministro Juca Ferreira (GA, 03.05.09) afirma que a iniciativa do governo federal de debater com artistas, empresários, partidos políticos e entidades oficiais um modelo de fomento para a cultura, constitui-se num momento ímpar. Na mesma edição, o jornalista Ênio Lins elege como excepcional, para unificar estratégias, o instante político que atravessamos: ?Não é difícil a construção de um quadrilátero unindo forças institucionais distintas, em três níveis do poder executivo ? federal, estadual, Prefeitura de Maceió e prefeituras do interior, onde Lula/Juca Ferreira, Téo Vilela/Osvaldo Viegas, Cícero Almeida/Eduardo Bomfim e AMA/Luciano Barbosa, sentar-se-ão, sem problemas, à mesa de negociação, em torno de avanços para a cultura alagoana?. Ideia louvável, plenamente possível, se nossos corações forem sensibilizados por um ideal maior, e as mentes capazes de assimilar a essência do Sistema Nacional de Cultura: uma consistente articulação dos órgãos oficiais, entretanto, com a participação das entidades e movimentos da sociedade civil e redes setoriais, estruturando mecanismo e processos que permitam o compartilhamento de informações, gestão e fomento, com controle social na definição e fiscalização das políticas públicas. Somos entusiastas dessa ideia. Aqui mesmo na GA, em 25.01.87, já clamávamos por essa sincronicidade. E recentemente, no artigo O Necessário Exercício da Convivência, dizíamos que o debate, sobre a reforma da Lei Rouanet, é um importante exercício de democracia; afirmando, ainda, que o MinC está plenamente consciente da diversidade do segmento cultural, o que, mercê de sua amplitude, dinâmica e peculiaridades, traz a certeza de que a única forma de buscar uma ação institucional eficaz é através da construção coletiva. Nada mais coerente, pois sabemos que os ?guetos segregam, realimentam ressentimento, não abrem para novas possibilidades, não oferecem novas perspectivas?. O desafio é administrar os desejos dos envolvidos no processo, com tempos diferenciados e, às vezes, díspares. O tempo do artista diletante é o deleite entre seus pares; do artista profissional é toda uma vida. Dos brincantes da cultura popular tradicional é sua própria vida. Do produtor, é o desafio do próximo empreendimento. Dos políticos pragmáticos, é o tempo do voto; dos que atuam sem as limitações do imediatismo, é o futuro. Do educador, é a utopia enquanto sonho possível. (*) É professor.

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