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A esperan�a do Nordeste

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Não faz muito tempo o escritor alagoano Carlito Lima, imortal de várias academias, publicou Nordeste Independente, simpática coletânea de louvor a este mais ou menos esquecido torrão. No prefácio, Carlito fez questão de ressaltar que o título era um plágio de uma música cantada com muita garra pela paraibana Elba Ramalho. Por falar em Academia, peço licença aos leitores para uma digressão. É que acaba de ser eleito para a Academia Alagoana de Letras o médico, professor e escritor José Medeiros, articulista da Gazeta de Alagoas e um dos intelectuais mais atuantes da nossa terra. Um ?cara do bem?. Conforme a praxis, eleito pelos próprios membros do sodalício, a elevação de Medeiros ao altar-mor da intelectualidade representa não só uma consagração, um coroamento, mas, sobretudo, é um reconhecimento de seus pares à sua extensa participação nos principais movimentos culturais da província. Espírito associativo e conciliador, certamente em breve se transformará numa peça fundamental na engrenagem da instituição. Como diriam os cronistas sociais, estão de parabéns Medeiros, a Academia e toda a comunidade de enamorados das letras. Volto ao Nordeste independente. Quando Elba Ramalho gravou Nordeste Independente, em pleno regime militar, a canção teve para nós nordestinos um sabor de desforra. Na ocasião, como ainda hoje, nordestinos eram vistos como uma sub-raça que só servia para engordar a mão-de-obra não-qualificada da paulicéia. Depois de suposta fissão entre os sudeste/sul ricos e preconceituosos e o nodeste pobre, seco e miserável, os otimistas compositores Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova, vislumbraram um nordeste se transformando num óasis exportador de algodão, cana e caju, carnaúba, laranja e babaçu. Nas fantasias dos autores, o Nordeste seria outro País: vigoroso, leal, rico e feliz. ?Sem dever a ninguém no exterior, jangadeiro seria o senador. O cassaco de roça era o suplente; um cantador de viola é que seria o presidente. Um vaqueiro era o líder do partido?. Autosuficiente em petróleo e energia elétrica, Recife seria o polo industrial e o idioma nordestinense; a bandeira de renda cearense enquanto Asa Branca era o Hino Nacional. A plateia urrava de prazer quando Elba espanava: ?... A moeda, o tostão de antigamente. Conselheiro seria o inconfidente; Lampião, o herói inesquecido?. Bons tempos aqueles. Hoje, nossa dignidade está nas mãos de José Sarney et caterva. (*) É médico e professor da Ufal.

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