Opinião
O melhor do futebol
Aproveitando as eliminatórias e a Copa das Confederações, trago para os meus poucos leitores a sugestão de que uma boa crônica de futebol, pode ser tão bom quanto um bom jogo, além de um excelente lazer para todas as horas; daí vou recomendar os quatro melhores livros sobre futebol já publicados entre nós. Começo por Mário Filho, considerado o Homero do futebol brasileiro, cujo nome foi dado ao Maracanã. Uma coletânea de suas melhores crônicas está reunida em o O Sapo de Arubinha. Ali, o irmão mais velho de Nelson Rodrigues escreve entre outras a crônica que dá título ao livro: após um jogo entre Vasco x Andaraí, que terminou com um humilhante 12 x 0 para o Vasco, Arubinha, um jogador do Andaraí, ajoelhou-se, olhou para o céu e pediu a Deus que desse como castigo para o Vasco 12 anos sem conquistar nenhum título. Dizem até, que para se garantir, Arubinha, na madrugada, apareceu em São Januário e enterrou um bruta sapo no campo. O tempo foi passando e nada do Vasco ganhar título; localizaram Arubinha em um subúrbio escondido do Rio e o apertaram. Arubinha garantiu que não tinha enterrado sapo nenhum, mesmo assim, a diretoria retirou todo o gramado, revolveu tudo e nada de sapo. Coincidência ou não, no ano seguinte, ao completar 12 anos, o Vasco voltou a ser campeão. Mário fala de jogadores que nunca vimos jogar e imediatamente nos tornamos íntimos deles. É como se estivéssemos à beira do gramado, ouvindo bater seus corações. Outra obra imperdível é À Sombra das Chuteiras Imortais, de Nelson Rodrigues. Cobre o período que vai da Copa do Mundo de 1950, a derrota do Brasil para o Uruguai em pleno Maracá, origem, segundo Nelson, do nosso ?complexo de vira-lata?, até o tricampeonato no México, passando pela emoção de todas as Copas intermediárias .Nelson mergulha em suas obsessões: o heroísmo e o medo, o indivíduo; a vida e a morte. Paulo Mendes Campos participa com O Gol é Necessário. Aqui, o estilista adentra na poesia em estado puro; com total domínio da crônica, faz dela o que quer, dá-lhe a centelha da paixão poética no futebol, somente vista hoje nas crônicas de Tostão. Finalmente, Stanislaw Ponte Preta e o seu Gol de Padre, nada melhor do que o mais bem-humorado cronista brasileiro de todos os tempos escrevendo sobre futebol. A crônica que dá nome ao livro, sozinha já o paga o livro. As obras citadas estão fora do prelo, talvez só existam nos sebos e o que é pior, os felizardos que as tem, não as emprestam, nem sob tortura. (*) É médico e professor da Uncisal.