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Reflex�es sobre o minist�rio do bispo

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Para dom Henrique Soares da Costa. ?Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco sou cristão. Aquele é o nome do múnus recebido; este, a graça; aquele, do perigo; este, da salvação? (Santo Agostinho Sermão 340,1). Esta é uma ocasião propícia para meditarmos sobre o carisma da autoridade, no ministério do bispo como um serviço ao povo de Deus e, ao mesmo tempo, buscarmos na palavra e na tradição da igreja algumas luzes para situarmos o ministério episcopal diante dos desafios de nosso tempo e percebermos a exigências permanentes da missão daqueles que assumem o pastoreio na igreja. O princípio evangélico da autoridade está fundado no serviço como atitude fontal daquele que é chamado ao ministério apostólico: ?Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam, e os seus grandes fazem sentir seu poder. Entre vós não deve ser assim. Quem quiser ser o maior entre vós seja aquele que vos serve, e quem quiser ser o primeiro entre vós seja o escravo de todos? (Mc. 10, 42-43). Jesus é, na condição de Filho e de servo, o arquétipo desta condição proposta para aqueles que são postos diante do rebanho de Deus a eles confiados na condição de servos e de pastores. Esta condição só é percebida e assimilada em profundidade na medida em que aquele que é chamado cresce na contemplação do Cristo Servo ? Pastor e, numa intimidade habitada pelo amor, permite que o Cristo seja formado no seu interior e sua caridade pastoral seja gravada como una tatuagem na alma, de forma que sua vida passa a ser um testemunho visível da ?caritas pastoralis? de Jesus Cristo. No dizer de São Basílio Magno: ?Um prelado deve vir persuadido de que, quanto mais são os seus súditos, mais tem a quem servir?. (S. Basilio, Interrog. 50, sent. 62, Tric. T. 3, p. 200.)? Em Jesus Pastor, este amor se torna perfeito porque Ele doa sua vida pelas ovelhas, reúne as que estão dispersas, cura aquelas que estão alquebradas, resgata as que estão desgarradas, vigia contra os lobos devoradores que não fazem conta do rebanho. A exemplo de Jesus, aqueles que ele chama para o serviço do cuidado de seu rebanho devem apascentar a grei de Cristo de forma desinteressada, fazendo-se eles mesmos, como Jesus, modelos do rebanho, colocando-se no meio de todos ?como aquele que serve? (Lc. 22, 27). Eles encontram em Jesus o pedagogo bom e justo que inicia os eleitos na escola do serviço e da oblativa doação. Eu não vim, disse Ele, ?não para ser servido, mas para servir e dar a vida em resgate por muitos? (MT 20, 28). ?O amor de Cristo naquele que apascenta suas ovelhas, deve crescer até atingir tal grau de ardor espiritual, que supere até mesmo o natural medo da morte, que nos leva a não querer morrer, ainda que queiramos viver em Cristo.? (Santo Agostinho ? Dos tratados sobre o Evangelho de São João). (*) É arcebispo metropolitano de Maceió.

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