Editorial
Etapa vencida

A aprovação do acordo entre o Mercosul e a União Europeia pelo Senado brasileiro ontem encerra uma negociação que atravessou quase três décadas e inaugura uma nova etapa na inserção internacional do País. Trata-se de uma escolha estratégica: ampliar mercados, atrair investimentos e reposicionar o Brasil em cadeias globais de valor cada vez mais exigentes e competitivas. A promulgação ocorrerá na próxima semana.
Ao criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, reunindo cerca de 718 milhões de pessoas e um PIB combinado superior a US$ 22 trilhões, o acordo projeta ganhos concretos. As estimativas oficiais apontam crescimento do PIB, aumento de investimentos, expansão das exportações, redução de preços ao consumidor e avanço dos salários reais ao longo das próximas duas décadas.
O cronograma gradual de redução tarifária demonstra cautela e busca proteger segmentos estratégicos. Ao mesmo tempo, o tratado vai além de tarifas, ao estabelecer regras sobre investimentos, serviços, compras públicas e solução de controvérsias, elevando o padrão institucional das relações econômicas.
Depois de 27 anos de tratativas, o desafio deixa de ser diplomático e passa a ser doméstico. Competitividade, infraestrutura, inovação e segurança jurídica serão determinantes para que o Brasil aproveite plenamente o acordo.
