Opinião
Calor das fogueiras
Mais uma vez em pleno clima junino, confirma-se a força da cultura popular, especialmente no Nordeste, em um evento de periodicidade permanente, onde manifestações artísticas típicas fazem par com uma explosão (sazonal) de vitalidade econômica. ?Apois, é assim?, como se diria no linguajar regional, o período junino é muito mais que um tempo lúdico: é momento de revigoração periódica de um conjunto articulado de atividades produtivas, multiplicando opções de emprego e renda em toda a região. Antes mesmo do advento dos dias festeiros oficiais (vésperas dos dias de São Pedro, São João e Santo Antônio), o aquecimento junino, em termos econômicos, antecipa-se ao calor das fogueiras propriamente ditas. Nas proximidades do período festeiro, crescem as atividades produtivas vinculadas ao tempo junino. Uma das mais expressivas multiplicações de labor produtivo se dá na confecção de fogos de artifício, com a proliferação de postos de trabalho, mais das vezes sendo utilizados nesse movimento produtor antigas técnicas de fogueteiros, repassadas pelo poder educar da prática pura e simples durante gerações de artesãos (mesmo que ocupados sazonalmente). A confecção de roupas típicas é outro nicho que se infla e se espalha desde antes das comemorações ao trio de santos. O ?figurino matuto?, em grande quantidade e variedade de peças infesta as prateleiras das lojas desde cedo. Da mesma forma, o fazer das comidas típicas, quase todas à base do milho, fazem a delícia dos consumidores, igualmente proporcionando novas chances de bons negócios nesse segmento. Enfim, o fulgor da fogueira junina segue iluminando e aquecendo a economia nordestina, alegrando corações e ajudando a sobrevivência digna de grande número de famílias. Que assim continue, com as graças de São João, São Pedro e Santo Antônio.