Opinião
As festas juninas de minha juventude
O tempo tem o poder de mudar todas as coisas: transformar os costumes, modificar as ideias, às vezes até, apagar as lembranças. As festas juninas existem ainda hoje, mas como são diferentes daquelas cheias de graça e de pureza de antigamente! Há uma preocupação de reviver a tradição e este ano fizeram, no último sábado, em várias cidades do Nordeste como: Salvador, Aracaju, Campina Grande, Caruaru, Arcoverde, Senhor do Bonfim, Maceió, concorridas festas animadas por famosos cantores de ?forró?. Lá estiveram se exibindo: Alceu Valença, Elba Ramalho, Daniela Mercury, Jorge do Altinho, Geraldinho, José Ramalho, e outros. Havia bandeirinhas e balões coloridos na decoração, todos dançavam, mas faltava a beleza dos trajes matutos, a alegria das quadrilhas, o crepitar das fogueiras; tudo aquilo que fazia das antigas festas juninas, não tão massificadas, o encanto da época. Lembro-me das animadas festas juninas realizadas no tempo em que Leda Collor de Mello era a grande Primeira Dama do Estado. Com o seu reconhecido dinamismo ela as organizava todos os anos, no Jaraguá Tênis Clube, no sentido de angariar fundos para uma de suas múltiplas realizações: a Cruz Vermelha. No salão rolava uma festa animada com quadrilha dançada pelos casais da sociedade, para a qual se ensaiava durante dias. O traje de matuto era obrigatório e as mulheres caprichavam nas rendas e nas fitas para serem as mais interessantes. Não faltavam as comidas próprias da época à base do milho, da mandioca e do polvilho como: a canjica, os bolos, os manuês, os pés-de-moleque, a tapioca e a pamonha. Nos campos de esporte externos do clube acontecia uma feira dos animais que ela conseguia angariar com os fazendeiros alagoanos. Uma grande fogueira crepitava logo na entrada e o som dos fogos se misturavam ao ritmo das sanfonas, dos pífanos e dos clarinetes que animavam as danças. No mundo apressado de hoje e onde a praticidade é a tônica da vida moderna, e que certos detalhes perderam a importância, poucas pessoas estão a fim de gastarem tempo e dinheiro num traje de matuto para arquivar depois no guarda-roupa. Ainda vestem com prazer as crianças para as festinhas juninas do colégio ou da casa de alguma amiguinha. Os fogos estão caros; é como queimar dinheiro. Reduzem-se ao mínimo. Poucas pessoas festejam os santos padroeiros da época. As empregadas tornaram-se mais difíceis, já não se conta com sua ajuda ou com a sua habilidade para confeccionar as trabalhosas comidas de milho! E assim a tradição vai se acabando. Como o carnaval, as festas juninas não são mais as mesmas. (*) É escritora.