loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 25/07/2026 | Ano | Nº 6275
Maceió, AL
26° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Tensão

A engenharia como linha que separa risco e tragédia

Ouvir
Compartilhar

Minas Gerais volta a viver dias de tensão. Enquanto o município de Porteirinha teve situação de emergência reconhecida após risco iminente de rompimento da Barragem de Lages, na Zona da Mata o cenário é de luto. Em Juiz de Fora, 65 mortes foram confirmadas.

Em Ubá, sete vidas se perderam e centenas de pessoas ficaram desalojadas. Os números expõem não apenas a força das chuvas, mas a fragilidade estrutural que ainda marca grande parte do nosso território.

A chuva intensa é um fenômeno natural e previsível do ponto de vista climático. O que não pode ser tratado como inevitável são os desdobramentos estruturais que transformam precipitação em desastre. Quando encostas cedem, quando sistemas de drenagem não suportam o volume de água, quando edificações apresentam trincas e infiltrações ignoradas ao longo do tempo, o problema deixa de ser exclusivamente meteorológico e passa a ser técnico.

No caso de Porteirinha, o risco foi identificado a tempo e alertas extremos foram emitidos para evacuação da população. Isso demonstra que sistemas de prevenção funcionam quando há diagnóstico, acompanhamento e decisão baseada em critérios técnicos. A pergunta que precisamos fazer é por que essa lógica preventiva ainda não é regra na infraestrutura urbana.

Shorts Youtube
Play
Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Joalheiria é alvo de assalto em plena luz do dia em Teotônio Vilela

Play
Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Prefeitura remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Play
Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Operação prende suspeito de tráfico de drogas em Arapiraca

Play
Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Polícia inicia 6ª fase da Operação Cerco Fechado

Play
Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

Ação da Semsc remove embarcações e objetos abandonados na orla da Pajuçara

As tragédias da Zona da Mata de Minas Gerais revelam um padrão recorrente em diversas cidades brasileiras: ocupações em áreas de risco, ausência de contenção adequada de taludes, drenagem insuficiente e falta de manutenção preventiva. A chuva apenas aciona um processo que já estava estruturalmente comprometido. Desastres não são apenas eventos naturais. Eles resultam da combinação entre fenômeno climático e vulnerabilidade construída.

É preciso lembrar que planejamento urbano não se resume à expansão territorial. Ele envolve mapeamento geotécnico, redimensionamentos hidrológicos, controle rigoroso do uso e ocupação do solo, fiscalização contínua e integração entre engenharia, defesa civil e gestão pública. Quando essas etapas falham ou são negligenciadas, a cidade acumula passivos invisíveis que só se tornam evidentes diante de eventos extremos.

Como engenheira civil e perita, observo com frequência que sinais prévios são ignorados. A engenharia diagnóstica existe para identificar indícios antes que se transformem em colapso. Laudos técnicos, inspeções regulares e auditorias independentes não são formalidades burocráticas, são instrumentos de proteção à vida.

Entre o alerta emitido em Porteirinha e o luto vivido em Juiz de Fora e Ubá existe uma diferença fundamental: a antecipação técnica. Precisamos transformar a prevenção em cultura institucional e social, com planejamento urbano responsável, mapeamento de risco atualizado e integração efetiva entre engenharia, defesa civil e gestão pública. A chuva continuará vindo. A diferença estará na forma como decidimos enfrentar suas consequências.

Relacionadas