Educação
Desaprender o machismo é um desafio coletivo

Parafraseando Simone de Beauvoir, ninguém nasce machista: torna-se machista. O machismo não é uma condição natural, mas um sistema de valores aprendido e reproduzido ao longo da vida. Ele se forma em processos de socialização que começam cedo, quando meninos e meninas aprendem que existem comportamentos “de homem” e “de mulher”. Mais do que expectativas sociais, trata-se de valores que hierarquizam as relações entre os sexos e legitimam a dominação masculina.
A Lei do Feminicídio, sancionada em 2015, representou um avanço importante ao reconhecer que muitas mulheres são assassinadas justamente por serem mulheres. Ainda assim, os números permanecem alarmantes em diferentes estados brasileiros. Isso revela que o problema não é episódico, mas estrutural. Ampliar punições é necessário, mas não suficiente para enfrentar uma violência que tem raízes profundas.
Assim como o racismo, o machismo funciona como um código estrutural inserido em um sistema mais amplo — o patriarcado. Ele se manifesta nas instituições, na política, no mercado de trabalho e nas práticas culturais que moldam o cotidiano das mulheres. Apesar de ainda haver quem negue sua existência, o machismo limita oportunidades, restringe o desenvolvimento social e, em muitos casos, tira vidas.
Combater esse fenômeno exige mais do que respostas penais. É preciso uma repactuação social baseada na igualdade entre homens e mulheres. Esse processo envolve toda a sociedade, mas precisa contar especialmente com o engajamento dos homens, que são, em sua maioria, os autores da violência.
Se o machismo é aprendido, ele também pode ser desaprendido. Por isso, a escola e a universidade têm papel central nessa transformação. Como espaços de formação humana e profissional, devem promover valores de respeito, igualdade e convivência democrática.
É ali que se formam profissionais capazes de reconhecer e enfrentar práticas discriminatórias em diferentes áreas da sociedade. Educar para a igualdade é também ensinar que masculinidade não se confunde com agressividade ou dominação. Desconstruir o machismo é uma tarefa coletiva — e começa pela educação.
