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Os bancos e a fome

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Num de seus recentes informes sobre a conjuntura econômica e social mundial, a Organização das Nações Unidas divulgou estudos comparativos realizados entre os investimentos de recursos públicos para socorrer instituições financeiras e para acudir vítimas da fome. E, pelos números da ONU, a desproporção é impressionante. Num levantamento de 50 anos, os países mais pobres teriam sido beneficiados com algo como US$ 2 bilhões, ao passo que instituições financeiras teriam recebido, em apenas um ano [2008], a bagatela de US$ 18 bilhões (!). Esses dados fazem parte do relatório divulgado anteontem (24 de junho de 2009) como parte dos estudos da campanha ?Metas do Milênio?, que se propõe ?a combater a fome e a pobreza no mundo?. Naturalmente, é estupidez criticar a diferença entre esses dois tipos de investimentos pela ótica da filantropia, pois, ao fim e ao cabo, os dispêndios destinados a combater a pobreza só têm resultado efetivo se forem destinados a retirar os pobres da miséria. E isso só pode ser feito através do desenvolvimento pleno, o que exige grandes investimentos na economia (onde bancos e instituições financeiras são peças indispensáveis). Faz todo sentido investir nas forças econômicas também como instrumento de combate à pobreza. Mas a discrepância, pelos dados da ONU, é estarrecedora. E, o que é pior, quais os resultados obtidos em função de tantos investimentos de recursos públicos? Pelos dados da Organização para a Agricultura e Alimentação (FAO), a previsão é de que a atual crise globalizada (que tem devorado montanhas de dinheiro público e privado) deverá acrescentar mais 1 bilhão de pessoas à lista dos que passam fome no mundo. Pelo sim pelo não, é hora de se investir mais nos segmentos produtivos, buscando salvar a vida dos excluídos, e não apenas socorrer os incluídos na riqueza.

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