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Opinião

QUEM TE VIU, QUEM TE V�

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Por alguns momentos, imaginava-se que os cânceres que habitaram os corpos de dona Dilma e de Luiz Inácio trariam benefícios para a Saúde do restante da população. Acreditava-se, ingenuamente, que a perspectiva de uma breve finitude os sensibilizaria além das habituais verborreias demagógicas. A inércia continuou, por razões que todos compreendem: foram recebidos como reis num dos melhores hospitais do País, por equipes que beiravam a vassalagem. Em nenhum instante, sentiram o gosto amargo de encarar o ?Cora?, sigla maldita para escamotear interminável fila para consultas. Exconjurado o perigo, por que a dupla iria se preocupar com esses rebotalhos de hospitais credenciados, preços de diárias, honorários de médicos, ?essa elite burguesa?? Aliás, nesse carnaval, madame Rousseff está impagável ao se dizer ?estarrecida? com os diálogos dos grevistas baianos. A presidente não está só nesse repúdio. Quando não impera o silêncio e a indiferença, jogando no lixo todo aquele histórico de terrorismo, luta armada, greves, etc, companheiros têm manifestado horror ao movimento paredista baiano. Quem te viu, quem te vê... Bandeira branca, amor. Esta semana, a Unidade de Emergência de Arapiraca teve seus minutos de glória ao salvar a vida do jovem Nivaldo Neto, filho do deputado Antonio Albuquerque. Ninguém está imune às desgraças. Pelo êxito, o orgulho é inevitável, embora todos saibam que a matéria-prima do hospital é feita de órfãos da sorte. O fato é que as autoridades alagoanas, fugazmente, fixaram o olhar na UE e devem estar deveras estarrecidas por como um hospital acanhado, incrustado no coração do Agreste, consegue tanto. Com boa remuneração e uma tecnologia de ponta ao dispor, é fácil operar no Sírio-Libanês. Complicado, gestores e leitores, é abrir uma cabeça com um foco cirúrgico que vagueia indócil e caprichoso, e que para onde quer. É sugar um coágulo com um aspirador do século 19; é estancar uma hemorragia com instrumental que não é renovado, sucateado, desafios permanentes à habilidade e paciência. Forçados a improvisar, somos quase gênios. Até quando a indiferença? Há dias em que não há certas especialidades. Os neurocirurgiões das UE de Maceió e Arapiraca, por exemplo, estão sem reajustes há quatro anos. Ninguém toca no assunto. Humilhados pelo aviltamento, muitos estão deixando os plantões. Se alguém fala em parar o atendimento, logo nos mostram o Juramento de Hipócrates e nos chamam de mercenários.

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