Editorial
Força do consumo

O desempenho recente do comércio varejista brasileiro revela a força do consumo interno mesmo em um cenário macroeconômico desafiador. Dados divulgados pelo IBGE mostram que, em janeiro, o volume de vendas cresceu 0,4% na comparação com dezembro, levando o setor ao maior patamar já registrado pela série histórica. O resultado ganha ainda mais relevância por ocorrer em um ambiente de juros elevados, com a taxa básica da economia, a taxa Selic, em 15% ao ano.
Dois fatores ajudam a explicar essa resiliência do varejo: o vigor do mercado de trabalho e a expansão do crédito às famílias. A taxa de desemprego de apenas 5,4%, a menor já registrada, e a massa salarial recorde de R$ 370,3 bilhões ampliam o poder de compra da população e sustentam o consumo.
Ao mesmo tempo, a oferta de crédito à pessoa física continua em expansão, mostrando que, apesar dos juros altos, os consumidores ainda encontram meios de financiar compras e manter o nível de gastos.
Ainda assim, o quadro exige cautela. A política monetária restritiva existe justamente para conter a inflação e, em algum momento, tende a produzir efeitos mais claros sobre o consumo. O desafio para os próximos meses será equilibrar o controle inflacionário com a preservação do dinamismo econômico.
