Opinião
Um torturado mito
Michael Jackson morreu. E segue vivendo como referência, redivivo na sequência natural das polêmicas que marcaram sua existência, relativamente curta e absolutamente agitada. Vive o mito Michael Jackson. O que não é novidade, pois o quinto dos irmãos do finado Jackson Five tornou-se mito em vida; em relação mesmo aos cinco manos originais, ele, o caçula, tornou-se rapidamente primeiro e único. E não mais parou de mexer com os corações e mentes de milhões de pessoas em todo mundo. E, post mortem, continuará a mexer com a alma dos vivos, talvez até alcançando ainda mais gente que durante sua própria existência física. Projetado em função de seu talento individual, ainda garoto, multiplicou-se em influência, sucesso e, principalmente, em polêmicas. E, mesmo para quem não está entre seus fãs, é importante prestar atenção às contradições expostas pelo astro. Importantes questões da existência humana despertam interrogações, e exclamações, através da vida de Michael Jackson. Saúde física e mental, opções sexuais, raça e preconceito racial, arte versus indústria cultural, relações familiares... tudo isso e mais alguma coisa foi potencializado de forma tão descomunal quanto trágica na vida de uma única pessoa; vida essa acompanhada, em tempo real (com direito à manipulações inúmeras por terceiros) por milhões de seres em todo o mundo. Do menino negro e risonho preservado nas fotos do início de carreira ao descolorido ser bizarro e torturado que marcou os últimos tempos do artista, temos imagens que resumem as contradições do mundo contemporâneo. Hoje, depois dessa morte anunciada, o mito vivo merece ser estudado com o devido respeito, até por respeito a nossas próprias fragilidades humanas, susceptíveis desde as mais simples opções de vida até aos excessos de fama, de riqueza e/ou de pobreza, dentre outros dilemas.