loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
quarta-feira, 05/08/2026 | Ano | Nº 6282
Maceió, AL
24° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Opinião

Opinião

O cozinheiro, o diploma e a distor��o

Ouvir
Compartilhar

Enquanto os ministros do STF julgavam ação contra o diploma de nível superior para o exercício da atividade jornalística, liguei o retrovisor da história. Rememorei convicções em defesa do título acadêmico para a prática cotidiana da busca da informação de interesse coletivo, seja ela factual ou não. Constata-se, nessas últimas décadas, o quanto evoluiu e profissionalizou-se a imprensa no País. Com a qualificação acadêmica, ganhou o cidadão e a democracia, à medida que os profissionais da área absorveram uma visão ampla e humana da realidade objetiva a que estamos submetidos. Como especialistas em generalidades, aprendemos a caçar informação, que, em muitas ocasiões, está refugiada nas entrelinhas das declarações de autoridades. Assim como ocorrem com outras categorias profissionais, temos nossos problemas. Somos hoje 80 mil no Brasil. Entretanto, acumulamos mais virtudes e serviços prestados à sociedade do que deformações éticas, que precisam ser corrigidas. O indignante é ver um relatório, como o do presidente do STF, que, a pretexto de atender aos interesses econômicos de poderosa corporação, dá guarida a embustes, como se a exigência do diploma cerceasse a livre expressão do pensamento. A exigência de nível superior na profissão de jornalista jamais retirou do cidadão o direito de escrever e manifestar suas ideias pelos meios de comunicação. Pelo raciocínio de sua excelência, o relator da matéria, jornalista é como cozinheiro: aprende-se no meio dos ingredientes. Sendo assim, o rábula, como exímio folheador de compêndios jurídicos, deveria também ocupar altas funções da magistratura? Infelizmente, a Fenaj, entidade máxima dos jornalistas, em crise de identidade e distante das redações, não conseguiu mobilizar a categoria nem sensibilizar as instituições, de modo a demonstrar que a qualificação dos jornalistas é um ganho social. Resta agora a construção de um grande debate nacional em torno de novo marco regulatório para a comunicação no Brasil. Saímos da ditadura, sepultamos a Lei de Imprensa, mas não conseguimos envolver o Congresso Nacional, que é a casa das leis, na definição de nova legislação para o setor. Em plena sociedade do conhecimento, é preciso garantir celeridade em direitos de resposta, implantar o ombudsman nos veículos de comunicação, democratizar a concessão de canais de rádio e TV e estabelecer critérios justos e responsáveis para o nobre exercício de apurar informação. (*) É jornalista.

Relacionadas