Opinião
Debates oportunos
Representantes de movimentos sociais acabam de cobrar, num dos mais produtivos eventos realizados nos últimos anos em Brasília ? a 2ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, encerrada domingo último ?, a garantia de orçamento no Plano Plurianual. Ou seja, mais recursos para as ações no campo social, sob a coordenação da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), principalmente em relação à saúde, educação e trabalho nas comunidades quilombolas e aldeias. Os participantes do encontro, entre os quais ativistas do movimento negro, políticos, gestores públicos e artistas de várias regiões do País, expuseram e se envolveram nos debates sobre outros problemas que afetam de maneira por demais danosa não apenas a esses povos. A questão das mortes violentas, com a insegurança cada vez mais crescente nas localidades urbanas e rurais espalhadas pelo País, esteve entre os temas mais debatidos e os fatores de maiores denúncias e advertências. Na mesma oportunidade, o Movimento Negro Unificado (MNU), conforme noticiou a Agência Brasil, fez críticas ao novo texto do Estatuto da Igualdade Racial (PL 6264/05), ora em fase de discussão e votação em comissão especial da Câmara dos Deputados, por não assegurar o atendimento dessas necessidades. Enquanto isso, ?o projeto original tramita há quase dez anos no Congresso e chegou a ser aprovado no Senado?. Discussões com cobranças como estas devem ser feitas cada vez mais. E nada mais oportuno do que acontecimentos como este, promovido justamente quando os próprios integrantes do Congresso Nacional e de outras instituições políticas voltam suas atenções também já com vistas às eleições gerais do próximo ano, que serão decisivas para a concretização dos avanços desejados por esses e outros segmentos da população brasileira.