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O limite solene dos erros

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Em defesa do sublime direito de errar, o compositor da música popular brasileira ergue uma proclamação: ?Errar é aprender, viver é deixar viver?, e faz um apelo ao mundo, para não deixar o sol morrer, símbolo do calor da história de todos os sentimentos. Os erros fazem parte da vida dos mortais. Integram caminhos, sacrifícios, divisões de escolhas e declarações de vitórias. Dores passadas não glorificam o presente mas evidenciam o curso dos acontecimentos que honram esforços desenvolvidos. Desencontros também compõem as celebrações da existência. Tanto no universo das instituições e dos homens. João Havelange, presidiu a Fifa, durante vinte e quatro anos, sendo apontado como um dos maiores dirigentes do século, da área esportiva internacional. Em recente entrevista, enalteceu a importância dos erros dos árbitros. Segundo o ex-presidente Havelange, os erros cometidos pelos juízes servem para perenizar a lembrança das partidas, fomentar discussões e incentivar a rivalidade das torcidas. Sem os erros dos árbitros não haveria tanta celeuma, incontáveis desdobramentos e renovadas paixões. O êxito universal do futebol se deve, em parte, às decisões polêmicas de seus juízes. No contexto do Estado democrático do direito o Poder Judiciário possui substancial relevo político e social. Sem contar com sua importância, nenhum povo preserva seus direitos e o valor de sua própria liberdade. O ministro Celso de Mello lembrou, recentemente, a sentença de Rui Barbosa: ?O Supremo Tribunal Federal detém o monopólio da última palavra?. O poder constitucional do Supremo, exercido por uma Corte de ministros, embora soberano não se apresenta de modo infalível, em suas decisões. Um histórico discurso de Rui, afirmou: ?Em todas as organizações políticas ou judiciais há sempre uma autoridade extrema para errar em último lugar?. Nas organizações humanas haverá sempre alguém com o direito de errar por último, de decidir por último, de ser detentor da angústia derradeira. Destino de um percurso solene de quem busca o desejo de acertar e alcançar, ao final, o triunfo do sentimento de justiça. A democracia será sempre o regime do restabelecimento das verdades e da luta em favor da paz. Esta vocação inerente às instituições também pertence ao povo, aos seus sonhos e apelos. Na forte ânsia de não deixar, a exemplo do canto popular, o sol da esperança fenecer. (*) É advogado.

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