Opinião
Saudades da pra�a
Vim do interior do Estado, da querida Palmeira dos índios, no início da vida, morar em Maceió, por motivos de transferência do meu pai, morar nos fundos (oitão) da Igreja dos Martírios, em frente à Praça dos Martírios. Foi nela, onde comecei a dar os primeiros passos da vida, e viver grandes momentos das fases da infância, adolescência e adulta, junto com grandes amigos, que lá conheci, e que ainda somos até hoje. Na Praça dos Martírios começamos a aprender o cotidiano da vida e a distinguir, as coisas boas e más, onde nos reuníamos, nas horas vagas, com a turma, embaixo de um oitizeiro, em frente à casa do dr. Aldo Flores (promotor de Justiça). As turmas eram divididas por faixa etária, não havia distinção de cor, sexo, facção, política ou religiosa, classe social. Eram todos iguais, buscando sempre a amizade e a troca de experiências. Nas turmas da praça, tinha todo tipo de ser humano, intelectual, boêmio, anarquista, esquerdista, direitista, centrista e sonhador. Tinha de tudo, mas todos conviviam, sem a malícia da sociedade hoje, sem os vícios dos que perambulam pelas praças de hoje. Foi lá na ?Turma da Praça?, que aprendemos a gostar de ler, namorar, ir às festas, de jogar futebol com os times das outras praças, de tomar umas ?cachaças? com colegas, de saber o que era Democracia e Ditadura, e ver colegas idealistas e sonhadores por uma sociedade mais justa, estes sim, tinham idealismo. A maioria dos colegas tinha formação católica, devido à nossa convivência com a Igreja dos Martírios, de onde passaram vários freis, de conservadores a progressistas. Mas também tinham ateus, materialistas, espíritas, evangélicos e as mais diversas tendências religiosas. E quando juntava todos era um verdadeiro culto ecumênico. Na pequena garagem de minha casa, onde meus pais moraram, tinha um cursinho chamado de ?Boa Esperança?, onde os professores eram os mesmos freqüentadores da praça. O curso era coordenado pelo meu querido irmão Denisson Menêses (morto em Cuba), preso político à época, onde foi barbaramente torturado, com outros colegas como o Denis Agra, Breno Agra (falecidos), Jéferson, Fernando, Flávio (juiz de Direito), por defenderam uma sociedade mais justa, que nos ensinavam Biologia, conhecimentos gerais e também a ser gente. Como também outros bons companheiros que nos instruíamos, contribuindo com vários colegas a ingressarem em faculdades e concursos públicos. (*) É presidente do CRO-AL.