Opinião
Agentes antidrogas?
Nos últimos tempos, temos sido pródigos em iniciativas que objetivam inverter os índices de violência que nos colocam na cabeceira do ranking nacional. Criação de secretarias, audiências públicas, implantação de projetos em escolas, pronunciamentos de políticos, artigos e reportagens evidenciam a questão. Críticas e ironias circulam, através da internet, inspirando charges, evidenciando a descrença de muitos, diante das iniciativas oficiais. As manifestações não chegam a alcançar a intensidade da ?voz rouca das ruas?, no entanto, não nos parece merecer a pecha de palpiteiros, como sintetizaria, se daqui fosse, o senador Papaléo Paes, do alto de sua visão limitada, confundindo o sagrado direito da expressão com interferências indevidas. As opiniões, mesmo se comezinhas, merecem respeito, pois o pernicioso é a cumplicidade, o silêncio, a omissão. Por outro lado, as questões públicas, resultantes de processos históricos, nunca se resumem a uma só pessoa. Por assim ser, mesmo beirando a verdade, a premissa que vem resumir à proverbial esperteza de fulano, ao exacerbado senso de oportunidade de sicrano ou à demagogia de beltrano casos que trazem em si complexidade de grande monta, incorre em preocupante reducionismo. Mas, diante de tanta efervescência, o que preocupa é a ânsia de urgência ? seja pelo volume do problema, seja pela inquietação de velocistas, cujo olhar não vai além de 2010 ? levando a iniciativas de grande apelo midiático, mas de pífios resultados. O que tememos são os ?projetos? pouco afeitos à efetividade. O que lamentamos são os equívocos conceituais, que ?custam caro e resultam, quase sempre, em resultados desastrosos?. Outro dia, uma autoridade dizia de seu entusiasmo pela realização de cursos que capacitariam alunos e professores, para atuarem como agentes antidrogas. Na ocasião, ponderamos que essa iniciativa, no emaranhado de interesses envolvidos na questão, poderia vir a colocar jovens e docentes na linha de tiro dos traficantes, que passariam a vê-los, inevitavelmente, como inimigos a serem eliminados, como empecilhos a seus lucrativos negócios. Numa palestra, vimos um ?especialista?, de grande audiência, alardeando, quase colérico, que sua meta era varrer de Alagoas todos os tipos de droga. Esse messianismo, que acredita na possibilidade de uma sociedade asséptica, requer reflexão, à medida que almeja um objetivo inatingível, em detrimento de ações comprovadamente mais eficazes. (*) É professor.